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Lava Jato

Juiz Moro condena Cerveró a 12 anos de prisão, mas absolve doleiro Youssef

Do trio, apenas Camargo é beneficiado por acordo de delação premiada e o único em liberdade no momento; a decisão do juiz foi comunicada ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF

SÃO PAULO – O juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, condenou, na manhã desta segunda-feira (17), o ex-diretor da área internacional da Petrobras (PETR3; PETR4) Nestor Cerveró a 12 anos, três meses e dez dias de reclusão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Também foram condenados o lobista Fernando Soares, conhecido como ‘Fernando Baiano’ – possível operador do PMDB no esquema de corrupção envolvendo a empresa estatal – a 16 anos, um mês e 10 dias, e o empresário Júlio Camargo, a 14 anos. Nos três casos, cabe recurso.

Do trio, apenas Camargo é beneficiado por acordo de delação premiada e o único em liberdade no momento. O empresário, acusado de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas, denunciou o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como receptor de US$ 5 milhões em propina em troca de acordos irregulares. Apesar da elástica pena, o juiz Moro determinou que ele cumpra cinco anos de prisão em regime aberto. O doleiro Alberto Youssef, que está preso e também era réu, foi absolvido do crime de lavagem de dinheiro por falta de provas às denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal, no entendimento do juiz.

Sobre a punição dos três condenados também incidirá multa. Sobre o diretor da estatal, Moro escreveu que os crimes cometidos envolveram o pagamento de pelo menos US$ 14,3 milhões e R$ 4,4 milhões nos contratos de fornecimento de navios-sonda da Samsung. A decisão do juiz foi comunicada ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Conforme destacou o jornalista Fausto Macedo, do Estadão, a ação de Moro pode ser lida como um rechaço à investida das defesas de Cerveró e Baiano, que tentaram puxar o processo para o STF. Ele ainda ouviu o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro: “Vindo do juiz que é, já era esperado. Vou recorrer e vou até o fim. […] Enquanto eu for advogado de Nestor Cerveró, não haverá delação premiada. Não tenho nada contra, mas eu sou contra a utilização de prisões preventivas para a obtenção de delação. É um método antidemocrático”, disse.

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A fala do advogado se insere em um contexto em que se especulava sobre possível acordo de delação para o ex-diretor da Petrobras, além do próprio Fernando Baiano e de Renato Duque, ex-diretor da estatal. As possibilidades de isso acontecer provocaram mais burburinhos em Brasília, com a oposição esperando mais exposição do governo caso Cerveró resolva “abrir o bico”. O mesmo vale para Fernando Baiano, no caso do PMDB – o que poderia ampliar a fragilidade de Eduardo Cunha, que já havia sido alvo de delações de Youssef e Camargo.