Crise no governo

Jornal “O Globo” publica editorial pedindo a renúncia de Michel Temer

"A renúncia é uma decisão unilateral do presidente. Se desejar, não o que é melhor para si, mas para o país, esta acabará sendo a decisão que Michel Temer tomará“, diz o editorial

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SÃO PAULO – Jornal que divulgou a notícia sobre a delação dos donos da JBS, “O Globo” divulgou um editorial na tarde desta sexta-feira (19) pedindo a renúncia do presidente da república Michel Temer.

Conforme aponta o editorial do jornal, “a renúncia é uma decisão unilateral do presidente. Se desejar, não o que é melhor para si, mas para o país, esta acabará sendo a decisão que Michel Temer tomará”. 

O jornal prossegue: “é o que os cidadãos de bem esperam dele. Se não o fizer, arrastará o Brasil a uma crise política ainda mais profunda que, ninguém se engane, chegará, contudo, ao mesmo resultado, seja pelo impeachment, seja por denúncia acolhida pelo Supremo Tribunal Federal”. A publicação aponta que o caminho pela frente não será fácil, mas aponta que a Constituição cidadã de 1988 tem o roteiro. 

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O Globo diz ainda que o “jornal apoiou desde o primeiro instante o projeto reformista do presidente Michel Temer”, mas a crença nesse projeto não pode levar ao autoengano, à cegueira, a virar as costas para a verdade”.

Na última quarta-feira, o colunista Lauro Jardim publicou que o dono da JBS Joesley Batista gravou Temer dando aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, levando à maior crise política do atual governo. O áudio foi divulgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na noite de quinta-feira e as análises foram de que o conteúdo foi menos “explosivo” do que prometia.

Contudo, o jornal afirma que não é preciso grande esforço para entender a sequência de diálogos entre Joesley e Temer. Nela, Temer diz “tem que manter”, após Joesley dizer que está “de bem” com Cunha.  

Conforme aponta o editorial, “esses diálogos falam por si e bastariam para fazer ruir a imagem de integridade moral que o presidente tem orgulho de cultivar. Mas houve mais. O empresário relata as suas agruras com a Justiça, e, abertamente, narra ao presidente alguns êxitos que suas práticas de corrupção lhe permitiram ter. Conta que tem em mãos dois juízes, que lhe facilitam a vida, e um procurador, que lhe repassa informações. Um escândalo. O que faz o presidente? Expulsa o empresário de sua casa e o denuncia as autoridades? Não. Exclama, satisfeito: ‘Ótimo, ótimo'”.

Desta forma, o jornal aponta que “fingir que o escândalo não passa de uma inocente conversa entre amigos, iludir-se achando que é melhor tapar o nariz e ver as reformas logo aprovadas, tomar o caminho hipócrita de que nada tão fora da rotina aconteceu não é uma opção”. Segundo a publicação, fazer isso, “além de contribuir para a perpetuação de práticas que têm sido a desgraça do nosso país, não apressará o projeto de reformas de que o Brasil necessita desesperadamente (…) Só um governo com condições morais e éticas pode levá-lo adiante. Quanto mais rapidamente esse novo governo estiver instalado, de acordo com o que determina a Constituição, tanto melhor”. Veja o editorial na íntegra clicando aqui. 

 

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