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O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), anunciou ontem o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como o candidato a vice-governador em sua chapa de reeleição neste ano. O anúncio contraria sinalizações dadas por Jorginho no ano passado sobre a disponibilização da vaga para o MDB. A escolha volta a movimentar o tabuleiro eleitoral catarinense, depois dos atritos provocados pela indicação do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) ao Senado pelo estado.
— O Adriano Silva, meu amigo e prefeito da querida cidade de Joinville, aceitou o convite para ser o meu vice na próxima eleição. Somos pré-candidatos a governador e vice-governador — disse Jorginho no vídeo de anúncio, publicado em suas redes sociais ao lado do aliado. — Santa Catarina, mais uma vez, sai na frente, unindo as forças de direita. Todo mundo trabalhando junto, olhando para frente com muito entusiasmo e fé.

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A escolha pegou de surpresa representantes do MDB no estado, depois de o governador prometer a vaga para o partido e afirmar, em entrevista à rádio Jovem Pan em outubro, que estava “tudo encaminhado”. A sigla tem quatro pastas no governo e via como o nome mais cotado para a posição do secretário estadual de Agricultura, Carlos Chiodini, presidente do diretório estadual do partido. Ele havia sido nomeado para o cargo em um movimento de aproximação do governo de Jorginho com a sigla em fevereiro do ano passado, que acabou incomodando correligionários. À época, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) foi uma das que questionou se o “critério” usado para a escolha teria sido “votar mais com o governo Lula”.
Oportunidade com segurança!
Interlocutores relatam que, ao longo do ano, enquanto a aproximação da gestão ao MDB seguia enfrentando resistência dentro do PL, o desempenho eleitoral de Adriano Silva atraiu atenção. Em 2024, foi reeleito no primeiro turno com 78% dos votos em Joinville, a maior cidade do estado. Com isso, ele passou a receber convites de partidos para uma composição no próximo pleito, entre eles, o de Jorginho, oficialmente aceito na noite desta quinta-feira. O anúncio repercutiu positivamente dentro da ala mais bolsonarista do partido do governador.
— Achei uma baita coligação para ganhar no primeiro turno, porque une a direita e estrategicamente impede de se criar um novo movimento de direita em Santa Catarina — disse Zanatta, em um vídeo publicado na noite de quinta-feira. — Fui contra aliança com partidos que aqui em Brasília apoiam o governo Lula e lá em Santa Catarina querem estar no governo. Ou está com o Lula, ou está com a gente.
A celebração não se repetiu dentro do MDB. Além da Agricultura, o partido tem o comando de outras três pastas (Meio Ambiente, Infraestrutura e Esporte). Depois de ser escanteado para a composição da chapa do governador, o partido deverá se reunir em um hotel em Florianópolis na próxima segunda-feira para discutir a permanência no governo.
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Críticas à indicação de Carlos Bolsonaro
A escolha também retoma as discussões sobre a composição de Jorginho para as eleições deste ano, que geraram atritos no ano passado. A indicação de Carlos Bolsonaro para o Senado deslocou para fora da chapa a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), já que a segunda vaga deverá ser ocupada pelo senador Espiridião Amin (PP-SC), que disputará a reeleição. Desde então, a parlamentar tem articulado sua transferência para o Novo, onde terá espaço para concorrer ao Senado.
A movimentação de Carlos, no entanto, foi criticada por representantes da direita no estado. Entre os que criticaram, Adriano Silva chegou a dizer, em entrevista ao programa Cabeça de Político, exibido no YouTube, que a candidatura do filho do ex-presidente por SC seria uma “agressão”.
— A vinda do Carlos Bolsonaro, sem dúvida nenhuma, eu entendo até como uma agressão ao estado. Eu, sinceramente, eu não o conheço pessoalmente, mas essa crítica eu faria a qualquer outro que quisesse se mudar do seu pleito eleitoral para um estado meramente por uma questão de oportunidade de voto — disse. — Quando eu vejo uma Carol de Toni fazendo um excelente trabalho, eu vejo o Gilson Marques fazendo um excelente trabalho, o próprio senador Esperidião Amin faz um excelente trabalho, então essas lideranças, sem dúvida nenhuma, são merecedoras das cadeiras lá e não lideranças de fora – avaliou.
Além dele, a indicação foi criticada pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), pré-candidato ao governo do estado que se define como representante da “direita real”. Em entrevista ao Globo, ele afirmou que “o catarinense não tem aceitado muito bem o Carlos como candidato”. Já nesta semana, o prefeito de Camboriú, Leonel Pavan (PSD), também classificou a indicação do vereador como “uma loucura” por tratar o estado como “um balcão de negócios”.