Mais bombas?

Joesley e Saud confirmam que têm áudios inéditos guardados no exterior, diz Janot

A informação está na íntegra do pedido de prisão deles feito pela procuradoria ao STF e aceito pelo ministro Edson Fachin

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SÃO PAULO – Em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República, os executivos da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, disseram que existem áudios inéditos que não foram entregues no acordo de delação premiada. A informação está na íntegra do pedido de prisão deles feito pela procuradoria ao STF (Supremo Tribunal Federal) e aceito pelo ministro Edson Fachin.

Mais cedo, a coluna Painel da Folha de S. Paulo informou que Joesley teria condicionado a entrega destas gravações à manutenção de seu acordo de delação – que deve ser cancelado após a análise atual feita pela Justiça sob a acusação de omissão de informação. Por outro lado, o procurador-geral, Rodrigo Janot, acredita que a omissão de fatos nos depoimentos de delação foi intencional.

“Instados a comparecer a Procuradoria-Geral da República no dia 07/09/2017, os colaboradores foram evasivos, deixaram de apresentar fatos importantes e levantaram explicações confusas. Outrossim, reconheceram que há informações e áudios não entregues”, diz Janot.

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O ex-executivo Ricardo Saud também disse que gravou uma conversa com ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e omitiu o fato no depoimento de colaboração. A informação também foi utilizada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para justificar pedido de prisão dele.

No pedido de prisão, Janot afirma que as gravações foram enviadas ao exterior e existem indícios de que novas gravações seguiram o mesmo caminho.

“Há, ainda, referências a outras gravações inclusive uma relativa a conversa com José Eduardo Cardoso, que não apenas deixaram de ser entregues ao Ministério Público Federal como foram levadas ao exterior, em aparente tentativa de ocultação dos arquivos das autoridades pátrias, o que reforça o intento de omitir alguns fatos, após a orientações de Marcello Miller [ex-procurador]”, afirmou Janot.

Outro lado
O advogado de Joesley e Saud, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, divulgou uma nota afirmando que os delatores cumpriram rigorosamente tudo o que lhes era imposto ao assinarem o acordo de delação premiada.

“Não pode o Dr. Janot [Rodrigo Janot, procurador-geral da República] agir com falta de lealdade e, insinuar que o acordo de delação foi descumprido. Os clientes prestaram declarações e se colocaram sempre à disposição da Justiça. Este é mais um elemento forte que levara a descrença e a falta de credibilidade do instituto da delação”, disse o advogado, em defesa da revisão do uso do instituto de delação premiada.

(Com Agência Brasil)

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