Delação de Joesley

Joesley cita contas no exterior de US$ 150 mi para Lula e Dilma; delação também cita ministros e governadores

Além destes, o nome do presidente do Senado Eunício Oliveira também é citado

SÃO PAULO – A delação da JBS implica, além de Aécio Neves e Michel Temer, diversos ministros e governadores, além dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Em delação premiada, o dono da JBS Joesley Batista afirmou que abriu contas no exterior para favorecer os ex-presidentes Lula e Dilma, De acordo com ele, a iniciativa surgiu em meio à ajuda que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega aos pleitos do grupo J&F no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Depois de conseguir  um aporte de US$ 2 bilhões da instituição, Joesley escriturou uma conta em uma offshore no exterior e lá depositou US$ 50 milhões, afirma o empresário. Os recursos segundo visavam favorecer o ex-ministro, mas Mantega disse mais tarde a Joesley que a conta era de Lula. Mantega, então, pediu para que outra conta semelhante fosse aberta, desta vez para Dilma. Joesley diz ter perguntado ao ex-ministro se os dois ex-presidentes petistas sabiam “do esquema” e Mantega disse que sim. e acordo com informações do jornal O Globo, o saldo das contas no exterior para Lula e Dilma em 2014 teria chegado a US$ 150 milhões. Em 2010, por intermédio do ex-ministro Antonio Palocci teria sido feito outro repasse, de R$ 30 milhões, para a campanha de Dilma.

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Já Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado, foi citado por Ricardo Saud, diretor de relações institucionais da holding J&F. Segundo o depoimento, Eunício teria R$ 5 milhões pela atuação em uma Medida Provisória que disciplinava créditos de PIS/Cofins. 

Ministros do governo Temer também são citados. Gilberto Kassab foi citado como beneficiário de propina por Wesley Batistae também pelo executivo Ricardo Saud, enquanto Joesley relatou ter pago propina a Marcos Pereira em troca da aprovação de um empréstimo de R$ 2,7 bilhões para a JBS pela Caixa Econômica.

O senador José Serra (PSDB-SP) também aparece como tendo recebido R$ 20 milhões a pretexto de campanha, enquanto Marta Suplicy (PMDB-SP) é citada como beneficiária de R$ 1 milhão em 2010 e R$ 3 milhões em 2014. 

Joesley contou ainda que concordou em pagar R$ 30 milhões em propina para a campanha do então deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara em 2015. Joesley afirmou que Cunha o procurou entre agosto de 2014 e janeiro de 2015 dizendo que precisaria do dinheiro para essa campanha. 

Ricardo Saud disse ainda que o governador de Minas Gerais Fernando Pimentel, ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), recebeu R$ 300 mil por mês da JBS enquanto estava na pasta. No total, Pimentel teria recebido cerca de R$ 3,6 milhões entre 6 de agosto de 2013 e 29 de outubro de 2014. 

O governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB) também é citado, assim como o seu antecessor André Puccinelli (PMDB). Eles são citados como beneficiários de pagamentos de R$ 150 milhões entre 2007 e 2016 como contrapartida a benefícios fiscais recebidos pelo grupo empresarial. 

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O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD-RN) é acusado de ter recebido pagamento de R$ 5 milhões em propina em troca da privatização da companhia de água e esgoto estadual. Já o governador de Santa Catarina Raimundo Colombo (PSD-SC) também é citado, acusado de ter recebido R$ 10 milhões em troca de favorecimento na licitação também de uma empresa de água e esgoto.  

Impeachment de Dilma

Ricardo Saud ainda afirmou que pagou R$ 35 milhões em propina a cinco atuais e ex-senadores do PMDB para garantir o apoio de todo o partido à reeleição de Dilma nas eleições de 2014. Segundo ele, receberam o dinheiro os senadores Eduardo Braga (AM), Jader Barbalho (PA), Eunício Oliveira (CE, presidente do Senado), Renan Calheiros (AL), além do ex-senador Vital do Rego, que é hoje ministro do TCU (Tribunal de Contas da União). Desse valor, R$ 1 milhão deveria ser destinado à senadora Katia Abreu (PMDB-TO), mas ela acabou não recebendo o dinheiro. 

Já Joesley Batista disse que o deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) o pediu R$ 150 milhões para comprar votos contra o impeachment de Dilma. 

O outro lado

Vital do Rêgo

“Em 2014, quando disputou o governo da Paraíba, Vital do Rêgo recebeu doações legais do Grupo JBS. Elas estão na prestação de contas já analisada e aprovada pela Justiça. O ministro Vital desconhece os fatos narrados pelo delator e está à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários”

Lula

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“Verifica-se nos próprios trechos vazados à imprensa que as afirmações de Joesley Batista em relação a Lula não decorrem de qualquer contato com o ex-Presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que sequer foram comprovados.

A verdade é que a vida de Lula e de seus familiares foi – ilegalmente – devassada pela Operação Lava Jato. Todos os sigilos – bancário, fiscal e contábil – foram levantados e nenhum valor ilícito foi encontrado, evidenciando que Lula é inocente. Sua inocência também foi confirmada pelo depoimento de mais de uma centena de testemunhas já ouvidas – com o compromisso de dizer a verdade – que jamais confirmaram qualquer acusação contra o ex-Presidente.

A referência ao nome de Lula nesse cenário confirma denúncia já feita pela imprensa de que delações premiadas somente são aceitas pelo Ministério Público se fizerem referência – ainda que frivolamente – ao nome do ex-Presidente.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira”

Dilma Rousseff

“A propósito das notícias a respeito das delações efetuadas pelo empresário Joesley Batista, a Assessoria de Imprensa da presidenta eleita Dilma Rousseff esclarece que são improcedentes e inverídicas as afirmações do empresário:

1. Dilma Rousseff jamais tratou ou solicitou de qualquer empresário, nem de terceiros doações, pagamentos ou financiamentos ilegais para as campanhas eleitorais, tanto em 2010 quanto em 2014, fosse para si ou quaisquer outros candidatos.

2. Dilma Rousseff jamais teve contas no exterior. Nunca autorizou, em seu nome ou de terceiros, a abertura de empresas em paraísos fiscais. Reitera que jamais autorizou quaisquer outras pessoas a fazê-lo.

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3. Mais uma vez, Dilma Rousseff rejeita delações sem provas ou indícios. A verdade vira à tona.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
DILMA ROUSSEFF”

Fernando Pimentel

“Nos trechos divulgados para a imprensa é possível perceber que as afirmações de Joesley Batista em relação ao governador não têm nenhum suporte em provas ou evidências materiais. Novamente, acusações levianas vêm a público sem que a versão do acusador apresente comprovações que sustentem sua versão.

Atenciosamente,
Assessoria de Imprensa do governador Fernando Pimentel”

 

Confira um dos vídeos da delação de Joesley Batista: