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Janot acusa cúpula do PMDB de combinar versão de defesa; Senado busca acordão para barrar prisões

No pedido de prisão de Jucá, Renan e Sarney, PGR aponta combinação de versões, aponta Folha; enquanto isso, no Senado, líderes indicam que eventual ordem de detenção de senadores não terá aval do plenário

SÃO PAULO – O procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu ao STF a prisão de Renan Calheiros (PMDB-AL), do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) e do senador Romero Jucá (PMDB-RR) ao STF apontando que eles combinavam versões de defesa e estratégias para  evitar serem alcançados com o avanço das apurações da Operação Lava Jato, segundo apurou a Folha de S. Paulo. A informação sobre as prisões foi revelada na última terça-feira pelo jornal O Globo. 

De acordo com o jornal, a ideia seria costurar as defesas dos peemedebistas, alvos dos pedidos de prisão, e impedir que o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado colaborasse com as apurações. O jornal aponta que há ainda indícios de que seriam produzidos documentos para tentar maquiar os desvios na gestão de Machado. O ex-presidente da Transpetro acusa Renan, Jucá e Sarney de terem recebido R$ 70 milhões da subsidiária da Petrobras. O objetivo seria, se não impedir, dificultar a ação de órgãos de controle.

A base dos pedidos de prisão são as gravações feitas por Machado, sendo também entregues documentos que comprovariam movimentações financeiras. Nem todos os áudios em poder da PGR foram divulgados. Os políticos que foram alvo do pedido de prisão negam irregularidades e que tenham recebido propina.

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Ainda sobre os pedidos de prisão, vale destacar a notícia do jornal O Estado de S. Paulo de hoje, apontando que o Senado articula um “acordão” para barrar eventuais prisões de Renan e Jucá, caso o pedido seja aceito pelo STF. Se a Corte determinar, os senadores só podem ser mantidos presos após aprovação do Senado. 

O argumento, de acordo com líderes ouvidos pelo jornal, é que o conteúdo que veio a público das conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro não é suficiente para levar um parlamentar à prisão. Além disso, há receio com os desdobramentos da delação do empreiteiro Marcelo Odebrecht, que podem levar a novos pedidos de prisões. Tanto a nova base aliada quanto a oposição não pretendem causar constrangimentos a Renan e Jucá.