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Janela do impeachment deve se fechar no fim de 2016: a questão é se alguém impedirá

O pior da crise econômica e política está por vir, o auge deve ser até meados de 2016, diz diretor da consultoria de risco político Eurasia Group

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SÃO PAULO – A crise econômica e política deve piorar, mas a probabilidade de impeachment segue cada vez mais baixa, enquanto o quadro econômico se arrasta sem uma recuperação para os próximos dois anos. A oposição deve deixar o “PT morrer de morte morrida e não matada”, sendo provável que essa situação se arraste até 2018, diz João Augusto de Castro Neves, diretor da consultoria de risco político Eurasia Group, durante painel em fórum da revista britânica The Economist na terça-feira (27)

“Você tem um cenário tensionado no Brasil, que eu acho que permanecerá. O pior da crise econômica e política está por vir, o auge deve ser até meados de 2016. Mas depois a ‘janela’ do impeachment tende a se fechar e a eleição de 2018 se tornará uma válvula de escape mais razoável”, disse Castro Neves.

Para ele, o custo do status quo hoje, isto é, de manter a presidente Dilma no poder é alto, mas ainda é menor do que o do impeachment. “Eu acho que o mercado e o Congresso começam a enxergar que a saída dela, que seria a solução fácil, como uma ‘bala de prata’, não é necessariamente o caso”.

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A explicação dele é que os fatores que hoje agravam a crise seriam também os fatores que potencialmente prejudicariam o governo pós-Dilma. “Você teria potencialmente um governo de Michel Temer, com cerca de dois ou três pontos de popularidade acima de Dilma, o PMDB sendo investigado, porque as investigações não param, com o PT morrendo de morte matada e não morrida, voltando a ser aquele PT radical, que tem uma oposição muito mais eficiente da que temos hoje. Uma aliança com o PSDB reticente, porque os dois competem em 2018, e a economia ainda em crise, com a receita para o ajuste exatamente igual. Então, por isso que eu digo, o custo do impeachment é alto; o do status quo também, mas ainda menor”, comenta.

Para Neves, a grande questão é o que irá acontecer nos próximos seis a doze meses. Haverá um momento em que “qualquer fato menor, em tese”, como a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e ou a perda de rating do País, “poderá desencadear uma reação desproporcional”. Questionado sobre uma possível saída de Levy, ele disse que acredita que o ministro fica até o fim do ano para tentar apresentar pelo menos as propostas que precisam ser implementadas.