Sessão do impeachment

Janaína pede desculpas a Dilma por ter “causado sofrimento” e chora em discurso; assista ao vídeo

Advogada de acusação diz que sofreu "mais que ninguém" por ter solicitado o afastamento de Dilma, pelo fato de ser a primeira mulher na Presidência da República

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Primeira a fazer suas considerações finais no quinto dia de julgamento da presidente afastada Dilma Rousseff, a advogada de acusação Janaína Paschoal afirmou nesta terça-feira (30) que, como mulher, sofreu “mais que ninguém” por ter solicitado o afastamento de Dilma, pelo fato de ser a primeira mulher na Presidência da República. “Ninguém pode ser perseguido por ser mulher. No entanto, ninguém pode ser protegido por ser mulher. Fosse um homem, eu pediria o impedimento. Não seria justo que eu assim não procedesse pelo fato de ser mulher”, afirmou

A advogada disse que foi Deus quem fez com que juristas e outros segmentos do país percebessem o momento que o Brasil atravesssava. “Foi Deus que fez com que várias pessoas, ao mesmo tempo, cada uma com sua competência, percebessem o que estava acontecendo ao nosso país e conferissem a coragem para se levantarem e fazerem alguma coisa a respeito”, completou.

Para Janaína Paschoal ,“diferentemente” do que foi dito pela petista e por senadores aliados a ela “este processo é do povo”. A advogada adotou tom forte para falar aos senadores. “É necessário que o mundo saiba que não estamos tratando aqui só de questões contábeis”, afirmou. 

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A advogada chamou a atenção dos parlamentares para a responsabilidade de julgar o processo e disse que a apresentação do pedido ao Congresso Nacional é um sinal da renovação de sua confiança no Parlamento. “O processo de impeachment é triste, não é fácil solicitar o afastamento de um presidente da República. Um processo de impeachment é triste. No entanto, tem um lado muito positivo, pois o impeachment é um remédio constitucional que precisamos recorrer quando a situação é grave. Pior do que os traumas de um processo como este é fingir que nada está acontecendo. Espero que não precisemos jamais voltar a lançar mão dele. Mas, se necessário, faremos”, disse.

Janaína reforçou ainda pontos que estavam na peça original, acatada pela Câmara dos Deputados no ano passado, e disse que os argumentos da acusação não mudaram ao longo do processo.  “Mas a denúncia foi alterada. A que oferecemos tinha três pilares: a omissão da presidente diante do escândalo do petrolão, as pedaladas fiscais e os decretos editados em desconformidade com a meta de superávit primário vigente. Nossa denuncia tinha três pilares e alcançava fatos entre 2013 e 2015”, afirmou. 

Pouco antes de finalizar sua fala inicial que foi divida com o jurista Miguel Reale Júnior, a advogada Janaína Paschoal pediu desculpas a Dilma por saber que a situação que ela vive não é fácil, porque “eu lhe causei sofrimento”. “Peço que ela um dia entenda que eu fiz isso pensando também nos netos dela”, disse Janaína, com lágrimas nos olhos.

A jurista destacou que se coloca no processo do impeachment “como uma defensora do Brasil’. “Entrei nesta história sem ser chamada porque entendi que precisava fazer alguma coisa por nosso país”. Após o fim do processo, ela afirma querer voltar “ao anonimato, à tranquilidade”.

Após terminar sua fala, um princípio de tumulto começou no plenário. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) reclamou no microfone que o deputado federal José Guimarães (PT-CE) chamou a advogada de “golpista”.

“Golpistas foram aqueles que saquearam a Petrobras, golpistas são aqueles que fraudaram a contabilidade pública”, afirmou Nunes aos gritos. O tucano pediu que o ministro Ricardo Lewandowski chamasse a Polícia do Senado para retirar o deputado petista do plenário do Senado, caso o comportamento se repetisse. “Eu não tenho medo de você, nem de vocês”, completou Nunes. Diante do tumulto o presidente do STF pediu para os parlamentares “manterem o nível civilizado” e suspendeu brevemente a sessão por cinco minutos para que a ordem fosse reestabelecida.

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Assista ao vídeo: 

(Com Agência Brasil)