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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tomou conhecimento da lista de exigências apresentada pelos Estados Unidos ao Brasil durante as negociações do tarifaço e determinou que os pontos relacionados à política interna brasileira fossem imediatamente rejeitados.
A existência do texto foi revelada nesta quinta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO. Segundo a publicação, o documento reunia 21 demandas apresentadas pelo governo Trump em outubro do ano passado, após a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

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Segundo interlocutores, o presidente Lula foi informado sobre o teor das demandas e o chanceler teria deixado claro ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, que temas políticos não entrariam nas conversas entre os dois países.
A lista misturava reivindicações comerciais e regulatórias com cobranças de caráter político. Entre os assuntos econômicos estavam o Pix, a atuação do Banco Central, o etanol, o desmatamento e as barreiras investigadas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 de sua legislação comercial. Os pontos políticos envolviam críticas ao tratamento dado a opositores no Brasil e poderiam alcançar a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O documento foi recebido por integrantes da diplomacia brasileira em Washington no dia 16 de outubro do ano passado, quando Vieira esteve na capital americana para preparar o encontro entre Lula e o presidente Donald Trump, marcado para o dia 26, na Malásia. A reunião ocorreria em meio às tentativas de reduzir as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
A equipe diplomática em Washington teve acesso ao texto e apresentou seu conteúdo ao chanceler. Vieira telefonou ao presidente para explicar a abordagem americana e informar que havia barrado qualquer negociação sobre assuntos internos do Brasil. O episódio voltou a ser discutido no dia seguinte, em reunião no Palácio da Alvorada com outros integrantes do governo.
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A orientação dada pelo Itamaraty foi separar as duas frentes. O Brasil continuaria disposto a negociar tarifas, regras comerciais e questões econômicas, mas não aceitaria condicionar o avanço das conversas a decisões do Judiciário, ao processo contra Bolsonaro ou a mudanças na política interna do país.
Vieira transmitiu essa posição a Rubio e informou que as exigências políticas não tinham possibilidade de prosperar.
A cobrança seguia a linha adotada por Trump desde o anúncio do tarifaço. Em julho do ano passado, o presidente americano relacionou a sobretaxa de 40% aplicada ao Brasil ao processo contra Bolsonaro, que classificou como uma “caça às bruxas”. A medida se somou à tarifa de 10% já anunciada pelos Estados Unidos, embora produtos brasileiros tenham sido posteriormente retirados ou poupados das alíquotas mais altas.
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No encontro de Lula com Trump na Malásia, as exigências políticas não voltaram a ser apresentadas. A conversa se concentrou na relação comercial e na busca de uma saída para o tarifaço.