Segundo Valor

Itamaraty abandona governo em discurso do “golpe” no exterior

A indisposição não gera surpresa, mas gera constrangimento ao PT e grupos contrários ao impeachment

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SÃO PAULO – Os recentes passos do chanceler brasileiro Mauro Vieira no campo internacional frustram o governo se o desejo era contar com apoio institucional do Itamaraty na guerra de discursos travada durante a tramitação do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff no Congresso. Conforme aponta reportagem do jornal Valor Econômico nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores não fará nenhuma cruzada para sair em defesa da atual mandatária e os membros da pasta tendem a manter postura institucional.

Foi o que se observou no distanciamento de Vieira pela longa agenda na África durante a votação do impeachment e as ações do chanceler e o assessor internacional Marco Aurélio Garcia durante a ida ao Equador no fim de semana para uma reunião de ministros da Unasul. Conta o jornal que a ida do ministro brasileiro ao encontro tirou a possibilidade de o país ter representação exclusiva do embaixador em Quito, Carlos Lazary Teixeira, aliado e nome de confiança de Dilma.

A missão de Vieira não teria sido patrocinar a aplicação da cláusula democrática do Mercosul contra o Brasil por conta do processo político em curso no país. Muito pelo contrário, o chanceler teria agido para bloquear a apresentação de uma moção nesse sentido. O mecanismo de sanção tem baixíssima possibilidade de ser aplicado, uma vez que demanda unanimidade dos países membros da união aduaneira imperfeita. O Paraguai já se mostrou fortemente contrário à ação e a Argentina ainda mantém posição menos clara.

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A indisposição da burocracia do Itamaraty em apoiar a retórica do governo no exterior não gera surpresa, mas não deixa de provocar constrangimento ao PT e grupos contrários ao impeachment que buscam apoio internacional a suas posições.

Os ânimos têm estado acirrados nos últimos tempos na região. Ontem, 17 dos 20 parlamentares brasileiros que estavam presentes na comemoração dos 25 anos do Tratado de Assunção abandonaram o evento por conta de um suposto gesto de desrespeito ao grupo brasileiro por parte do presidente do Parlasul, Jorge Taiana. Ex-chanceler argentino, ligado ao kirchnerismo, Taiana deu declarações incisivas contrárias ao impeachment de Dilma acusando-o de golpe parlamentar. Durante a chegada ao evento, os parlamentares brasileiros descobriram que os lugares a eles reservados estavam localizados ao fundo do salão, o que foi entendido como um gesto de represália do argentino.

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