Itália seguirá caminho da Grécia? Société Générale diz que trajetória é semelhante

Analista aponta década marcada por estagnação e déficit fiscal e comercial crescentes; bancos sofrem com baixo crescimento

SÃO PAULO – “A economia italiana está frágil e deve ser acompanhada de perto”. É a partir dessa premissa que o Société Générale avalia a atual situação da Itália, combalida por baixo crescimento, aumento da dívida pública e poucas reformas estruturais – seguindo a trajetória de vizinhos como Portugal e Grécia.

Para o banco frânces, o corte de perspectiva de rating realizado pela Standard & Poor’s na última semana poderia já ter acontecido, pois há muito a situação não é nada favorável.

PIB per capita menor
“O PIB (Produto Interno Bruto) per capita da Itália é menor hoje do que em 1999”, lembra Vladimir Pilonca, da equipe de pesquisas econômicas do Société Générale. “De fato, mesmo excluindo a queda com a recessão de 2008-2009, o crescimento anual médio do PIB mal chegou a 1,1% desde 2001 – o mesmo nível de Portugal e metade da Zona do Euro”, completa o analista.

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Outro ponto que comprova o argumento do Société Générale está na deterioração da balança comercial italiana, que desde meados de 2003 tem sido deficitária. Segundo Pilonca, apesar de ainda estar distante de países como Portugal e Grécia, a trajetória do déficit indica contínuo agravamento da situação.

Bancos mais vulneráveis do que parece
Tradicionalmente reconhecidos por sua solidez, os bancos italianos também começam a sofrer com o baixo crescimento acumulado ao longo da última década, dado que já é possível observar um aumento na inadimplência em financiamentos para as empresas locais.

“Os bancos italianos vivenciam um momento de deterioração da qualidade de seus ativos, e as provisões para devedores duvidosos vêm crescendo”, explica Pilonca.

Além disso, a situação tonar-se ainda mais delicada na medida em que os empréstimos tradicionais são a espinha dorsal da economia italiana, pois parte considerável de suas empresas não são suficientemente grandes para acessar o mercado de capitais.

Grande demais para cair? Até quando?
Em suma, “até agora, o status da Itália, de muito grande para cair, tem proporcionado um teto de vidro para seus spreads, mesmo frente à adversidade com o desenvolvimento doméstico. Mas um novo turno prolongado de estagnação pode eventualmente correr esse privilégio”, finaliza Pilonca.