Itália marca novo julgamento sobre extradição de Carla Zambelli

Audiência vai analisar pedido brasileiro para que ex-deputada cumpra pena de 5 anos e 3 meses pela perseguição armada a um homem em São Paulo, em 2022

•

Publicidade

A Justiça italiana marcou para 29 de outubro uma nova audiência para reanalisar o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). As autoridades brasileiras requereram ao país europeu que a ex-parlamentar seja enviada ao Brasil para cumprir a pena pela condenação por perseguir, com uma arma, um homem pelas ruas de São Paulo, em 2022.

Carla está em liberdade na Itália depois de a Corte Suprema de Cassação em Roma anular o pedido de extradição feito pelo governo brasileiro e determinar sua soltura imediata. O requerimento apresentado pelo Brasil voltou ao patamar inicial e deverá ser submetido a um novo julgamento.

As autoridades italianas pediram mais garantias do governo federal e do Supremo Tribunal Federal (STF) do tratamento que Carla poderia receber no sistema prisional brasileiro, considerando seu estado de saúde. Segundo o g1, os dados já foram fornecidos, o que viabilizou o agendamento da reavaliação do caso.

Continua depois da publicidade

A decisão da Justiça italiana de libertá-la foi tomada na mesma semana em que o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotassem providências para viabilizar a extradição da bolsonarista. A ordem de Moraes teve como base uma decisão anterior da Justiça italiana, em Roma, favorável ao pedido brasileiro.

Dois processos estão ligados às condenações impostas pelo STF à ex-parlamentar. No caso da invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Carla Zambelli foi condenada a dez anos de prisão. Foi com base nessa sentença que o Brasil solicitou sua extradição à Justiça italiana, que em março havia dado parecer favorável ao pedido.

Mas a decisão da Corte de Cassação alcançou também o segundo pedido de extradição apresentado pelo Brasil, relacionado à condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

Continua depois da publicidade

A ex-deputada bolsonarista, que tem cidadania italiana, deixou o Brasil em maio de 2025, passando pelos Estados Unidos antes de se mudar para o país europeu. Dois meses depois, ela foi incluída na lista da Interpol, foi presa e afirmou que queria ser julgada na Itália.

Em setembro deste ano, Carla pediu ao STF autorização para retornar temporariamente ao Brasil durante a eleição, sob a garantia de não ser presa, com o argumento de que pretendia votar na mãe, Rita Zambelli, candidata a deputada federal em São Paulo.

Rita não foi eleita, mas o irmão da ex-deputada Bruno Zambelli conseguiu ser reconduzido nas urnas a deputado estadual por São Paulo. Filiado ao PL, ele buscava permanecer na Assembleia Legislativa. O candidato recebeu 82.946 votos.

Continua depois da publicidade

Tópicos relacionados