Impasse político

“Itália já não está na zona do euro”, diz comediante vencedor das eleições

Segundo Beppe Grillo, países que compõem o bloco econômico só estão esperando que bancos se desfaçam dos títulos para que Itália saia do euro

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SÃO PAULO – Giusseppe Piero Grillo, mais conhecido como Beppe Grillo, é um comediante italiano bastante famoso no país com uma carreira de mais de 40 anos, mas vem se destacando nos últimos anos pela sua grande influência política. Em 2009, ele fundou o Movimento 5 Estrelas, que se transformou na terceira maior força política da Itália.

Esta força aumentou após as eleições parlamentares de 24 e 25 de fevereiro, que geraram um impasse político no país. O resultado das eleições tornou o Movimento 5 Estrelas o maior partido político italiano, recebendo 26% do total de votos e constituindo a maior bancada em termo de partidos isolados. Entretanto, em meio às dificuldades enfrentadas pelos partidos para formar uma coalização que chegue a um novo primeiro-ministro, a expectativa é de que haja novas eleições no país. 

Conhecido por suas opiniões polêmicas, Grillo destacou durante entrevista para o jornal britânico Financial Times que a Itália já está fora da zona do euro. Segundo ele, os países nórdicos estão ajudando a manter o país até certo tempo no bloco econômico, até que os bancos de investimentos desfaçam as suas posições em títulos italianos novamente. 

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“Então, eles vão nos deixar cair como uma batata quente”, avalia. Grillo compartilha da mesma opinião da maioria da população italiana, que desaprova a condução da política econômica desde a entrada do país na zona do euro. O comediante e político ressaltou ainda que pode fazer um referendo online para decidir a questão, avaliando que há alguns assuntos que são ignorados pela Constituição nacional.

Críticas à zona do euro
Grillo critica ainda a condução da crise pelo atual primeiro-ministro, Mario Monti, ressaltando que ele foi um “administrador em nome dos bancos, gerando contrapartidas negativas para a população através de impostos mais altos”.

Entretanto, ele não se vê como um anti-europeu, ressaltando que o Velho Continente não tem o que temer. Ele pediu, contudo, por uma forte reversão da política da zona do euro e por mais democracia, criticando a atual condução do bloco.

“O que acontece com a Europa para que não tenhamos políticas de informação, fiscal e de imigração em comum? Por que só a Alemanha enriqueceu?”, questiona.