Publicidade
A advogada Janaína Reis Miron, meia-irmã do prefeito Ricardo Nunes (MDB), foi solta na tarde desta sexta-feira (16) após passar por audiência de custódia no Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. A informação foi publicada pela Folha de S. Paulo.
Ela havia sido detida no dia anterior após ser identificada por câmeras do programa Smart Sampa, sistema de reconhecimento facial usado pela Prefeitura de São Paulo como uma das principais ferramentas da política municipal de segurança. Janaína estava em uma unidade básica de saúde no bairro de Veleiros, na zona sul, quando o sistema apontou a existência de dois mandados de prisão em aberto.
As ordens judiciais estavam relacionadas a condenações por desacato, lesão corporal e embriaguez ao volante, todas com penas fixadas inicialmente em regime aberto. Segundo o Tribunal de Justiça, a prisão ocorreu porque Janaína não compareceu às audiências de execução penal nem cumpriu as medidas alternativas determinadas nos processos. Após a abordagem, ela foi levada ao 11º Distrito Policial, em Santo Amaro.
Feito para você!
Em nota, a Prefeitura de São Paulo declarou que a prisão foi cumprida com base em decisões judiciais válidas e seguiu os protocolos do Smart Sampa. Segundo a gestão municipal, o sistema atua a partir da comparação de imagens captadas nas ruas com bancos de dados de pessoas procuradas pela Justiça, emitindo alertas às forças de segurança.
Dados oficiais indicam que, desde a implantação, o programa levou à prisão de mais de 2.600 foragidos e à detenção em flagrante de cerca de 3.650 pessoas.
A região onde Janaína foi localizada é a mesma onde reside o prefeito. Segundo apuração da Folha, Ricardo Nunes não mantém contato com a meia-irmã há aproximadamente 15 anos.
Continua depois da publicidade
Os mandados de prisão decorrem de dois processos distintos. O primeiro envolve agressões contra um dos filhos, registradas em boletim de ocorrência de novembro de 2014. À época, o Ministério Público apontou episódios de violência física associados ao consumo excessivo de álcool. A condenação, proferida em abril de 2024, fixou pena de oito meses de detenção, substituída por prestação de serviços à comunidade.
O segundo processo diz respeito a um episódio de outubro de 2022, quando Janaína foi flagrada por policiais rodoviários dirigindo em zigue-zague no interior paulista. Segundo os agentes, ela apresentava sinais de embriaguez e teria desacatado os policiais durante a abordagem. A defesa alegou uso de medicação. Em julho de 2025, a Justiça converteu a pena em multa equivalente a um salário mínimo e serviços comunitários por um ano e três meses.
De acordo com registros do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões, Janaína deixou de cumprir as condições impostas nos dois casos, o que levou à expedição dos mandados. Após a audiência de custódia, a Justiça determinou sua soltura, com a imposição de novas medidas cautelares para o cumprimento da pena em regime aberto.
