Irlanda: crise política não deve alterar calendário do ajuste fiscal, dizem analistas

Apesar de incertezas, espera-se que próximo governo mantenha as diretrizes dos pacotes de auxílio econômico

SÃO PAULO – A antecipação das eleições na Irlanda não devem surtir consequências significativas no que concerne à aprovação do pacote de ajuda recém acordado junto a países da União Europeia e ao FMI (fundo monetério internacional).

Em meio a pressões populares e de partidos da oposição, a composição do parlamento irlandês deve ser redesenhada após às eleições antecipadas, marcadas para janeiro, após o partido verde anunciar sua saída da coalizão governista.

“Embora relativamente pequeno, o partido verde mantém o equilíbrio de poder na coalizão”, destacou o analista Vladimir Pillonca, do Société Générale. Contudo, o atual gabinete de governo está comprometido com a aprovação dos pacotes econômicos, fiscais e orçamentários já programados, antes da realização do novo pleito.

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Comprometimento
Porém, inevitavelmente, um cenário eleitoral gera incertezas e riscos, apesar dos partidos de maior relevância já terem se comprometido a reduzir o déficit para 3% até 2014 e estarem de acordo com o plano de austeridade fiscal que deve durar entre 2011 e 2014.

“Os mercados estão se reconfortando no fato da Irlanda estar resolvendo sua situação por si só”, afirmam Ronnie O’Toole e Allan von Mehren, analistas do Danske Research, lembrando também que a principal pauta das eleições de janeiro deve ser onde e como reduzir os gastos, em vez da realização ou não dos cortes.

Centro deverá formar novo gabinete
Segundo pesquisas atuais, a maioria das cadeiras do parlamento devem ser ocupadas por membros da coalizão formada pelo Partido Trabalhista (centro esquerda) e Fine Gael (centro direita).

Essa coalizão, na avaliação dos analistas, será uma união muito mais “pautada pela conveniência do que por uma aliança natural, o que facilitará negociações com um governo que não tenderá nem à direita, nem à esquerda.”