IOF é só o sintoma, “temos que tratar a doença”, diz Gilmar Mendes em Lisboa

Ministro do STF afirma que crise entre Executivo e Congresso revela falta de diálogo e cobra responsabilidade dos Poderes; declarações foram feitas durante o Fórum de Lisboa

Paulo Barros

Ministro do STF, Gilmar Mendes, fala ao InfoMoney Entrevista (Foto: Reprodução)
Ministro do STF, Gilmar Mendes, fala ao InfoMoney Entrevista (Foto: Reprodução)

Publicidade

LISBOA – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (2), durante o Fórum Jurídico de Lisboa, que a crise provocada pela judicialização do decreto que aumentava o IOF representa apenas “o sintoma” de uma crise mais profunda no sistema político brasileiro: a falta de diálogo entre os Poderes. “Precisamos tratar da doença. Isso aqui é apenas a ponta do iceberg de uma crise. Temos que resolver e debelar a crise”, afirmou a jornalistas.

Gilmar comentou o episódio um dia após o governo federal ter protocolado no STF uma Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) para validar o decreto presidencial que elevava o tributo. A medida, derrubada pelo Congresso, foi contestada pelo Executivo com base na tese de que o Legislativo invadiu competências do governo.

Para o ministro, a tensão é “natural em alguns momentos”, mas exige uma resposta institucional madura. “Certamente essa é uma oportunidade para todos assumirem sua responsabilidade com o país e evitarem a escalada da crise”, disse, sugerindo que a judicialização pode se transformar em chance de reconstrução do diálogo.

Gilmar também destacou que o caso está em boas mãos no Supremo. A ação da AGU foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, que também relatará outras duas ações sobre o tema — uma do PL, contrária ao aumento do IOF, e outra do PSOL, contra a derrubada do decreto pelo Congresso. “Todos esses processos estão nas mãos do ministro Alexandre. Haverá diálogo institucional. Espero que haja uma pausa para reflexão, uma pausa para meditação, e que aqui se construa uma solução”, completou.

O Fórum Jurídico de Lisboa, organizado pelo próprio Gilmar Mendes, ocorre em meio ao acirramento da crise entre Executivo e Legislativo. A expectativa de bastidores é que, com autoridades dos três Poderes reunidas em Portugal, o evento possa também funcionar como espaço informal para costuras políticas e tentativas de apaziguamento institucional.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)