Investimento estrangeiro retomou patamar anterior à crise, diz Meirelles

Para presidente do BC, aplicações são de melhor "qualidade", pois passaram da renda fixa para investimentos produtivos

SÃO PAULO – Em exposição aos senadores na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, destacou que o investimento estrangeiro no País voltou a níveis anteriores à crise econômica mundial, além de salientar a qualidade dessas aplicações, que passaram de títulos de renda fixa para predominância em investimentos produtivos. 

Para corroborar sua visão, Meirelles apontou que, atualmente, 70,5% do total do capital advindo do exterior é alocado no mercado acionário ou então faz parte de investimentos diretos. Em 2001, o volume destinado a esses dois segmentos era de 42,7% do total. 

Recuperação
Além disso, a taxa de desemprego também atesta a recuperação econômica do Brasil, disse Meirelles, comparando os dados brasileiros a países como a Espanha e os EUA, que têm 19% e 9,5% da PEA (População Economicamente Ativa) sem emprego, contrastando com a marca de 7,4% registrada no País em fevereiro. 

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Para Meirelles, os “fatores-chave de sucesso” são o regime de metas de inflação, responsabilidade fiscal, sistema financeiro sólido, equilíbrio no setor externo, mercado de capitais desenvolvido e crescimento do investimento. Com essa conjuntura, o crescimento do Brasil deve alcançar 5,8% em 2010 e superar a média dos países emergentes, disse o presidente do BC. 

Reservas internacionais
Além da transparência, o sistema de metas mantém a inflação em níveis baixos e previsíveis. Meirelles aproveitou ainda para afirmar que o Brasil tornou-se, desde 2003, credor em moeda estrangeira, e não mais devedor, com reservas internacionais de US$ 245,8 bilhões, o que em sua visão colabora para a estabilização da economia. 

Meirelles ainda disse que o BC coloca em prática uma estratégia de saída da crise, com o resgate completo de R$ 24,5 bilhões de empréstimos das reservas.