Análise

Intervencionista e conservador: o perfil ideal do novo presidente, segundo os brasileiros

Posições da maioria dos eleitores acendem sinal de alerta sobre viabilidade de agenda de reformas na economia

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SÃO PAULO – Um candidato à presidência com posições políticas mais ao centro do espectro ideológico, para ampliar suas chances de sucesso nas urnas, deve combinar um discurso à direita no campo dos costumes e à esquerda na economia. É o que mostra pesquisa XP/Ipespe, divulgada na última sexta-feira (29).

Segundo o levantamento, apenas 39% dos entrevistados estão alinhados com posições defendidas pela esquerda no campo dos direitos civis. Por outro lado, quando a pauta é economia, o nível de alinhamento chega a 61%. A avaliação é feita a partir de dez perguntas feitas aos eleitores, sendo três neste último grupo.

Opinião em temas polêmicos

TEMACATEGORIAPOSIÇÃO DE ESQUERDA
Legalização do abortoDireitos civisA favor
Aborto em caso de estuproDireitos civisA favor
Legalização do uso da maconhaDireitos civisA favor
Legalização do porte de armas para cidadãosDireitos civisContra
Adoção da pena de morteDireitos civisContra
Redução da maioridade penalDireitos civisContra
Casamento entre pessoas do mesmo sexoDireitos civisA favor
PrivatizaçõesEconomiaContra
Intervenção do governo na economia, com mais regulação nos preços e no comércio internacionalEconomiaA favor
Reforma da PrevidênciaEconomiaContra

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Fonte: XP/Ipespe

Em uma avaliação das respostas dadas pelos eleitores a estas perguntas, registradas nas últimas duas pesquisas realizadas (na terceira e quarta semanas de junho), dando igual peso a cada uma, constata-se que a média dos votos é 50% alinhada com a esquerda (ou 50% contra suas bandeiras).

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Ao separar as perguntas nas duas categorias, porém, fica clara uma tendência conservadora nos costumes e mais alinhada à esquerda na economia. Eis a disposição dos eleitores por candidato com base nesses critérios:

1) Direitos civis

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2) Economia

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Os resultados representam um desafio ao mercado, uma vez que os eleitores não devem receber positivamente medidas mais duras na economia, independentemente do nome escolhido para presidir o Brasil pelos próximos quatro anos. O caminho para as reformas econômicas não será fácil.