Influência política faz Citi ser mais cauteloso com as vendas da Embraer na China

Analistas lembram que interferência não evita possíveis cancelamentos após fechado contrato; câmbio preocupa

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SÃO PAULO – “Nós estamos cansados de ver potencial de compra de aeronaves provocados por políticos”. Esse é um dos argumentos utilizados pelo Citigroup para avaliar a perspectiva de novos negócios da Embraer (EMBR3) com a visita da presidente Dilma Rousseff à China nesta segunda-feira (11).

Segundo Stephen Trent e Angela Lieh, a visita do premier chinês, Hu Jintao, em 2006 ao Brasil reforça o argumento. Na ocasião, Jintao anunciou a compra de aeronaves da Embraer em nome da companhia Hainan Airlies, mas que no final do processo contou com boa parte dos pedidos cancelados.

Clientes antigos
Além disso, caso a Embraer de fato venda aeronaves para China Southern e China Eastern, a companhia não estará conquistando novos clientes, uma vez que ambas já operam com aviões da empresa, o que difere da estratégia de mercado das concorrentes Bombardier e Comac – mais bem avaliadas pelo Citi.

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Como fato mais concreto a ser esperado no futuro próximo, Trent e Angela citam a entrega das aeronaves restantes do acordo firmado com a Republic Airways em julho de 2010, durante a Feira Internacional de Farnborough, na Inglaterra. Além disso, a dupla espera para essa semana a prévia operacional do primeiro trimestre, com previsão de 49 aeronaves entregues.

Câmbio preocupa
O câmbio é outro fator que preocupa os analistas, uma vez que “enquanto elementos do mercado parecem preocupados com o dólar a R$ 1,80, nós questionamos como será atingida essa cotação, atualmente abaixo de R$ 1,60”.

Apesar da preocupação, os analistas reafirmam que a redução de preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) na última sexta-feira (8), de US$ 37,00 para US$ 35,00, está ligada às mudanças no regime contábil da empresa e não por conta das expectativas de resultados da empresa para os próximos trimestres.