Perspectivas

Inflação, Fed e defesa de Lula: os 8 eventos que vão agitar o mercado na próxima semana

Com cenário político mais tranquilo, mercado volta os olhos para os indicadores econômicos dos próximos dias

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SÃO PAULO – Se a próxima semana tinha tudo para ser mais tranquila, agora será de bastante agitada no mercado. Após uma bateria de dados menores de inflação e a divulgação do PIB, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de fevereiro ganha força nos próximos dias. Enquanto isso, o exterior ganhou uma importância maior após o anúncio recente de Donald Trump sobre taxação de aço e alumínio importado.

Os dados de atividade seguirão no radar. O resultado da produção industrial de janeiro saem na terça-feira (6) deve mostrar uma boa recuperação em relação mesmo mês de 2017, embora tenha queda sobre dezembro, analisa a GO Associados. O dado deve mostrar queda mensal de 2,6%, devolvendo os ganhos de 2,8% em dezembro. Por outro lado, na comparação com janeiro de 2017, o setor mostrar alta de 4,9%, indicando que a indústria segue em recuperação, apesar da elevada volatilidade na comparação mensal dos últimos dois meses.

Já na sexta-feira (9), o IBGE divulga o IPCA referente ao mês de fevereiro, que os analistas consultados pela Bloomberg projetam uma alta de 0,36%, mantendo a inflação no acumulado em 12 meses abaixo do piso da meta, em 2,89%. Um resultado como esse pode praticamente sacramentar a visão do mercado de que o Copom irá cortar a Selic novamente em março.

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No campo político, o principal evento será o julgamento pelo STJ (Supremo Tribunal de Justiça) do pedido de habeas corpus preventivo do ex-presidente Lula pelos seus advogados, na terça-feira (6). Lula foi condenado, em segunda instância, a 12 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex.

Vale ficar atento ainda à temporada de resultados corporativos do quarto trimestre, que segue agitando o mercado. Serão pelo menos 28 balanços a serem apresentados, com destaque para os números da Embraer (EMBR3), Localiza (RENT3), B2W (BTOW3), Lojas Americanas (LAME4) e Marfrig (MRFG3).

Mercado de olho no exterior
A “bomba” jogada por Trump no mercado com a taxação de aço e alumínio importados elevou a tensão nos investidores, que devem seguir atentos aos próximos passos do que muitos estão chamando de início de uma “guerra comercial”. Mas além disso, a agenda de indicadores também ganha força nos EUA e Europa.

Na quarta-feira (7), o Federal Reserve divulga o Livro Bege, relatório elaborado pelas sedes locais da autoridade americana e que indica a percepção deles em relação a economia do país. Com isso, o documento ganha importância já que é um bom indicador de como o Fed está projetando suas altas de juros.

Na sexta-feira (9), o Departamento de Trabalho dos EUA divulga o relatório de emprego do mês de fevereiro. Com a economia próxima ao pleno emprego (taxa de desemprego de 4,1%), o mercado ficará atento principalmente em relação a evolução dos salários e no ritmo de geração de vagas. Sinais de pressão salarial podem levar a novo stress nos mercados globais.

Na Europa, a semana começa com o resultado das eleições na Itália, evento que está sendo pouco comentado no mercado, mas pode ter grande impacto a depender do partido que ganhar, já que há riscos de ocorrer um novo cenário como o Brexit (confira a análise clicando aqui).

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Ainda na região, serão divulgados dados de atividade ao longo da semana, como vendas do varejo na segunda e a terceira estimativa do PIB da  zona do Euro, na quarta-feira. Mas, o principal evento será a reunião de política monetária do BCE (Banco Central Europeu), que ocorre na quinta-feira (8).

Os dirigentes do BCE devem manter estáveis as taxas de juros, com a principal taxa em 0,0% aa, sendo que a expectativa recai sobre o comunicado e os planos para o fim do programa de estímulo monetário do bloco. Diante da recuperação da atividade na Zona do Euro, o programa de recompra de ativos deve se encerrar até o fim do ano. Entretanto a baixa taxa de inflação pode permitir que os juros fiquem estáveis por mais tempo, ajudando a manter a elevada liquidez nos mercados internacionais.

Para conferir a agenda completa de indicadores, clique aqui.