Indicação de Galípolo para diretoria do BC foi bem recebida por Lira e Pacheco, diz Padilha

Indicados às diretorias do BC precisam ser sabatinados na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado

Reuters

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, durante reunião (Foto: Washington Costa/Ascom/MF)
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, durante reunião (Foto: Washington Costa/Ascom/MF)

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O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse nesta segunda-feira que a indicação de Gabriel Galípolo para a diretoria de Política Monetária do Banco Central foi “muito bem recebida” pelos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Padilha disse ainda que o governo fará um esforço para encaminhar ao Congresso ainda nesta segunda a indicação de Galípolo e também a de Ailton de Aquino Santos para o posto de diretor de Fiscalização da autoridade monetária.

Os indicados às diretorias do BC precisam ser sabatinados na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e depois terem suas indicações aprovadas pelo colegiado e pelo plenário da Casa.

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Mais cedo nesta segunda, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou em São Paulo as indicações de Galípolo, até então seu secretário-executivo na pasta, e Santos para as duas diretorias do BC. Na ocasião, Haddad disse que foi o presidente do BC, Roberto Campos Neto, quem lhe sugeriu pela primeira vez a indicação de Galípolo para um cargo na autarquia.

Campos Neto e a atual política monetária do BC têm sido alvos de críticas constantes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de membros do governo, que criticam o atual patamar da Selic, a taxa básica de juros, de 13,75% ao ano.

No sábado, durante visita oficial ao Reino Unido, Lula voltou a centrar fogo em Campos Neto, indicado ao posto pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e cujo mandato no comando do BC termina no final de 2024, ao acusá-lo de não ter compromisso com o Brasil.

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Em entrevista à rádio CBN na semana passada, Haddad defendeu que a redução dos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC já poderia ter começado. Também na semana passada, o ministro disse estar “bastante preocupado” com a decisão do Copom de manter os juros inalterados.

Em meio a críticas reiteradas de Lula à política de juros do BC, o mercado acompanha de perto as indicações às diretorias da autarquia para avaliar se os nomes do novo governo poderão representar algum tipo de ruptura ou de oposição às visões de Campos Neto.

O início dos trabalhos de Galípolo e Santos na diretoria do BC, onde passarão a votar nas decisões sobre a taxa básica de juros do Comitê de Política Monetária (Copom), dependerá do trâmite do Senado.

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Por isso, não é possível afirmar se os dois já participarão da próxima reunião do colegiado, nos dias 20 e 21 de junho, quando agentes do mercado ainda esperam uma manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano.

A taxa Selic é mantida há seis reuniões consecutivas do Copom no nível máximo desde o início de 2017, apesar da pressão do governo para que o patamar seja reduzido.

Até o momento, o colegiado tem decidido os juros básicos de maneira unânime, com exceção do encontro de setembro do ano passado, no qual o BC interrompeu o ciclo de alta dos juros em decisão que teve dois votos divergentes, no sentido de promover uma alta adicional na taxa.

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Lula terá neste ano mais duas vagas para indicar ao BC. Em dezembro, serão encerrados os mandatos dos diretores de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta, Maurício Moura, e de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, Fernanda Guardado.

A previsão é que Lula alcance a maioria dos nove membros da diretoria do BC indicados pelo seu governo apenas depois de dezembro de 2024, quando serão encerrados outros três mandatos, inclusive o de Campos Neto.

Em recente café da manhã com colunistas no Palácio do Planalto, quando novamente criticou a atuação do BC sob comando de Campos Neto, Lula disse que indicaria para as diretorias da autoridade monetária pessoas que defendem os interesses do seu governo.