“Inaceitável”: Padilha desiste de ir à ONU após restrições dos EUA, diz site

Ministro da Saúde teve visto concedido com limitações de circulação em Nova York e Washington

Marina Verenicz

Ministro Alexandre Padilha (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
Ministro Alexandre Padilha (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não integrará a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na cúpula da ONU, em Nova York, que começa neste fim de semana.

A decisão foi tomada após os Estados Unidos concederem visto diplomático com restrições inéditas à sua circulação, medida classificada como “inaceitável” pelo governo brasileiro. A informação foi revelada pelo UOL.

Padilha havia solicitado novo visto para participar da Assembleia Geral da ONU e, na sequência, da reunião da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em Washington.

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O documento foi liberado apenas na quinta-feira (18), mas com limitações que impediriam sua presença em compromissos fora da sede da ONU e na própria Opas, onde o Brasil planejava anunciar recursos adicionais ao fundo rotatório de vacinas e medicamentos contra o câncer.

“Essas restrições não são feitas a mim enquanto pessoa, mas ao cargo de ministro da Saúde do Brasil”, afirmou em uma entrevista na GloboNews. “Na prática, me impedem de participar de duas agendas centrais: a reunião da Opas, em Washington, e os encontros paralelos da Assembleia da ONU, onde presido a parceria dos BRICS na saúde”.

Diplomatas ouvidos pelo site afirmaram que, dentro do Itamaraty, prevaleceu a avaliação de que aceitar o visto seria “ato de humilhação” diante da tradição estabelecida desde 1948, quando os EUA assumiram compromisso de garantir livre acesso de delegações estrangeiras a reuniões internacionais realizadas em seu território.

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O veto temporário ao ministro se insere no pacote de sanções impostas pelo governo Donald Trump, que havia determinado a revogação do visto de Padilha e de seus familiares sob a acusação de envolvimento no programa Mais Médicos, que trouxe profissionais cubanos ao Brasil.

No Planalto, a leitura é de que não há margem para reverter a posição americana a tempo. A tendência é que Padilha permaneça no Brasil, enquanto Lula e outros ministros, como Fernando Haddad (Fazenda) e Ricardo Lewandowski (Justiça), participam da cúpula.