Impressão de voto eletrônico gera polêmica entre especialistas

Para alguns, impressão evitaria fraudes nos softwares; para outros especialistas, é um retrocesso

SÃO PAULO – A proposta de imprimir os votos registrados nas urnas eletrônicas, para que sejam guardados pela Justiça Eleitoral, gera polêmica entre especialistas em segurança de sistemas de votação. A medida, prevista para as eleições de 2014, está incluída no projeto de reforma eleitoral (PLC 141/09), que começa a ser debatido no Senado.

O secretário de Tecnologia da Informação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Giuseppe Dutra Janino, que rejeitou a inovação, afirmou que, embora o voto impresso pareça um ganho, por oferecer ao eleitor uma comprovação adicional da escolha que fez, também representa a volta de vulnerabilidades típicas do antigo sistema de apuração manual de votos.

“Esse mecanismo vai trazer junto com ele a intervenção humana e um agregado de falhas, como a morosidade na apuração e o portfólio de fraude que são possíveis onde o ser humano coloca a mão”, afirmou. Pelo projeto, segundo a Agência Senado, as urnas serão auditadas pela Justiça Eleitoral, por amostragem, ou quando for aceita denúncia de fraude.

Fraudes nos programas

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Já os defensores da medida alegam que a impressão do voto é a única garantia contra fraudes produzidas por alterações na programação. Segundo Jorge Stolfi, do Instituto de Computação da Unicamp, a fraude só seria possível por meio de esquemas que se infiltrassem no corpo do próprio TSE, algo difícil de acontecer, mas não totalmente descartável.

Ele lembra que, desse modo, um pequeno desvio de votos em cada urna poderia alterar totalmente o resultado de uma eleição. “A impressão não cria novas modalidades de fraude e elimina esse tipo de fraude centralizada, por atacado, a mais perversa”, afirma.

Já Janino, do TSE, lembra que o voto impresso também representa a possibilidade de quebra do sigilo constitucional do voto.

Entre os senadores, houve grande interesse na obtenção de informações sobre as questões de segurança da possível adoção do voto impresso, mas, para o relator do projeto na CCT (Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática), senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a impressão não aumentará a segurança contra fraudes. “Acho um retrocesso retornar ao voto impresso, que vai trazer de volta a contagem manual, muito mais frágil do que a feita pelo computador”, afirmou.