Repercussão

Imprensa americana elogia Paulo Guedes, mas teme Bolsonaro

A CNBC, um dos principais sites financeiros do mundo, montou um "guia" para explicar quem é Bolsonaro para o estrangeiro e deixou um tom preocupado para os investidores

SÃO PAULO – O “fenômeno Bolsonaro” não é algo exclusivo do Brasil. Praticamente toda a imprensa internacional está falando sobre Jair Bolsonaro (PSL) nas últimas semanas, desde notícias sobre suas polêmicas declarações até jornais focando em suas propostas econômicas para tirar o Brasil da crise.

E neste último caso, a CNBC, maior rede de notícias financeiras do mundo montou um “guia” com “tudo que você precisa saber sobre o ‘Trump dos Trópicos'”.

O texto, publicado nesta terça-feira (9), já começa destacando que “o candidato presidencial de extrema-direita do Brasil prometeu não se tornar um candidato a ‘paz e amor'”.

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Na parte do guia focada no mercado, a publicação destaca a euforia dos investidores com Bolsonaro, que levou o Ibovespa a disparar 4,5% ontem, dizendo que ele é “visto como o candidato mais favorável ao mercado, em grande parte por causa de sua decisão de recrutar Paulo Guedes como seu conselheiro econômico”.

Porém, conversando com Anthony Pereira, diretor do King’s Brazil Institute no King’s College London, a CNBC destaca que a equipe de Bolsonaro parece muito liberal, o que agrada os investidores, mas uma das perguntas que mais preocupa é: Bolsonaro deixará Paulo Guedes ser Paulo Guedes?

“Ele está se aproximando do centro e tentando parecer mais moderado […] Mas muitas pessoas racionalizam e dizem que ele realmente não quis dizer essas coisas”, disse Pereira.

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A CNBC também destaca o discurso feito pelo candidato do PSL após o primeiro turno, em que ele diz que não irá diminuir o tom. “As pessoas boas do Brasil querem se livrar do socialismo, não querem o regime da Venezuela. Eles querem uma economia liberal e querem defender os valores da família. Não queremos ser amanhã o que a Venezuela é hoje”, afirmou.

O texto destaca que Bolsonaro ganhou força entre o eleitorado ao prometer prender os políticos corruptos e facilitar a ação da polícia, tudo isso em um momento em que o Brasil ainda reflete o escândalo da Lava Jato, que exacerbou a desconfiança generalizada dos eleitores, com menos de três semanas para o que muitos consideram ser a eleição presidencial mais importante da história do país.

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Em entrevista, Arnab Das, estrategista de mercado global da Invesco, disse à CNBC que a eleição de Bolsonaro como um “outsider” é um “retrocesso para aquelas relações muito acolhedoras entre o Estado e os negócios, que existiam com a esquerda e a centro-esquerda”.

Outro destaque que a matéria dá é para o movimento “Ele Não”, falando que teve início com declarações misóginos e racistas durante sua campanha. “As comparações com Donald Trump nos EUA são superficiais”, disse à CNBC Fiona Mackie, diretora regional para a América Latina da Economist Intelligence Unit.

“Embora ambos compartilhem algumas características de líderes populistas, o contexto brasileiro é muito diferente. Suas instituições são mais fracas e sua economia, longe de crescer, precisa de reformas profundas e politicamente desafiadoras como uma prioridade imediata para a nova administração”, disse Mackie para a CNBC.

A matéria dá um tom mais leve em relação aos ataques que têm sido destaque na imprensa internacional, se preocupando em resumir ao máximo os principais pontos sobre quem é Bolsonaro. Por outro lado, para quem está de olho no mercado, a CNBC deixa um alerta importante, destacando que a euforia está mais na equipe por trás do candidato do que nele mesmo, e isso poderá ser um problema no futuro.