Tensão política

Impeachment sem provas pode trazer o caos, diz Marina Silva ao Valor

A ex-candidata à Presidência que tenta coletar assinaturas bastantes para criar seu partido qualificou como positivas as manifestações do dia 15, mas defende a ordem institucional

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SÃO PAULO – Ex-ministra do Meio Ambiente, ex-senadora e terceira candidata mais votada para a Presidência da República em 2010 e 2014, Marina Silva falou em entrevista ao Valor Econômico que os protesto contra o governo no dia 15 foram “manifestações fantásticas”. No entanto, ela diz que um impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) sem fundamentação legal para tanto aprofundaria o caos do País.

Marina disse que seu tempo fora dos holofotes não foi um silêncio, mas um tempo para esperar que o governo recentemente eleito mostrasse a que veio. Uma vez visto o resultado, ela diz que saiu às redes sociais para expor as suas análises sobre a conjuntura do País neste novo mandato da presidente. “Estamos vivendo uma situação dramática na vida política, econômica, social e institucional do nosso país”, afirma.

Ela também criticou o modelo atual política de coalização, com a distribuição do Estado e de pedaços do orçamento obtido com o dinheiro do contribuinte, dizendo que este tipo de política está “esgotado”. “Não se pode escolher um partido simplesmente porque quer um pedaço do Estado para chamar de seu”. A ex-senadora repetiu o seu discurso de campanha, de que uma coalizão deve ser feita com os melhores quadros dentro dos partidos e não por conveniência política. 

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Especificamente sobre as manifestações, Marina disse que elas mostraram que os que não votaram no atual governo se sentiram indignados porque sabiam que vivíamos uma situação de dramática, enquanto os que “acreditaram no mundo cor de rosa do marketing”, também já se deslocaram. 

“A população vê que se ganhou uma eleição sem ter o prontuário do paciente, que é o programa de governo. E não tendo o prontuário, onde se faz o diagnóstico e se apresentam as propostas, não é que se errou a dose, mudou-se foi o frasco do remédio. Dizia-se que era só uma dor de cabeça e que se iria dar um analgésico e agora se quer dar doses de morfina”, avalia Marina.