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Ibovespa estende perdas em maio, e CDI fica com posto de melhor investimento do mês

Principal índice da Bovespa já acumula perdas de 6,76% no ano; ouro também recua em maio, e dólar tem leve variação positiva

SÃO PAULO – Em mais um período em que a aversão ao risco prevaleceu no mercado brasileiro – unindo-se a um movimento de saída de investidores estrangeiros -, o Ibovespa repetiu o mau desempenho visto no mês anterior e fechou maio com perdas de 2,29%.

A queda lhe rendeu o posto de pior investimento do mês, mesmo resultado de abril, e levou a rentabilidade anual do principal índice da bolsa para -6,76% – como comparação, os três principais índices norte-americanos sobem entre 6,9% e 8,6% em 2011. 

Mas ao contrário do que foi visto em abril, o ouro negociado na BM&F também encerrou o mês com variação negativa – a queda da commodity foi de 0,88% no período. Considerando a variação real – ou seja, descontada a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) – o ouro e o Ibovespa foram os únicos a registrar rentabilidade negativa em maio. O dólar medido pela taxa Ptax ficou quase estável deduzida a inflação, com leve perda de 0,01% em termos reais. 

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Com isso, as melhores aplicações do mês ficaram na renda fixa – no caso, o CDI, que marcou alta de 0,99% em maio, seguido de perto pelos CDBs pré-fixados de trinta dias, que acumularam no mês retorno de 0,95%. 

A caderneta de poupança, por sua vez, deu sequência aos ganhos do mês anterior e fechou maio com rentabilidade de 0,66%

InvestimentoMaioReal*AbrilReal**
Ibovespa -2,29% -2,71% -3,58% -4,01%
CDI*** +0,99% +0,55% +0,84% +0,39%
CDB **** +0,95% +0,52% +0,94% +0,49%
Poupança +0,66% +0,23% +0,54% +0,09%
Ouro -0,88% -1,30% +1,40% +0,95%
Dólar Ptax +0,42% -0,01% -3,40% -3,83%
IGP-M +0,43% +0,45%

* Deduzida a variação do IGP-M que ficou em 0,43% em maio de 2011
** Deduzida a variação do IGP-M que ficou em 0,45% em abril de 2011
*** Taxa Efetiva Andima
**** Taxa pré 30 dias

Política na arena central
Mas as notícias de maior impacto de maio não vieram do âmbito econômico, e sim da política. A primeira delas, bem no início do mês, foi a morte de Osama Bin Laden  pelas forças armadas norte-americanas no Paquistão, dando fôlego ao presidente Barack Obama, depois de diversas derrotas políticas nos EUA. 

Entretanto, nada chamou mais a atenção do que a prisão de Dominique-Srauss Kahn, então diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional) em Nova York, sob acusação de ter abusado sexualmente de uma camareira no hotel em que se hospedava. O dirigente do FMI, bastante envolvido no resgate às economias da Zona do Euro, renunciou ao cargo, dando espaço a discussões sobre os nomes  para o processo de sucessão.

A grande favorita para o cargo é a ministra de Finanças francesa Christine Lagarde, tendo a seu favor o predomínio do continente no posto. Lagarde, que já anunciou a candidatura de ministra de finanças da França, faz agora um tour para angariar apoio entre os emergentes, que se opõem a mais um europeu no cargo – a primeira parada foi no Brasil, onde se reuniu com Guido Mantega e Alexandre Tombini.

Apesar de se dizer satisfeito com a visita, Mantega reiterou a importância de reformas no órgão, e afirmou que o País ainda não apoia oficialmente nenhum candidato. O presidente do BC mexicano, Augustin Carstens, também deve visitar Mantega para pedir apoio a sua candidatura nesta semana.

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Agenda e política monetária
Nos EUA, depois de um bom resultado do mercado de trabalho em abril, mostrado pelo Relatório de Emprego, os dados começaram a trazer sinais não tão positivos – como indicam os últimos Initial Claims, que têm vindo piores do que as projeções. No mercado imobiliário, o Housing Starts decepcionou, assim como o Building Permits e o S&P Case Shiller e o Existing Home Sales. O ISM Services e o déficit na balança comercial também vieram pior do que o esperado, assim como o PIB norte-americano do primeiro trimestre.  

Entretanto, as referências dos EUA seguem mistas. Apesar das decepções com o mercado imobiliário e de trabalho, dados como o Wholesale Inventories, e a confiança do consumidor medida pela Universidade de Michigan superaram as projeções. 

Em termos de política monetária, foram poucas as novidades. O BCE (Banco Central Europeu) não alterou a taxa básica de juro na Zona do Euro, a China seguiu elevando a exigência de reservas dos bancos para combater a inflação – que marcou 5,3% em abril. Nos EUA, a ata do Fomc (Former Open Market Committee) não trouxe mudanças na Fed Funds Rate ou no QE2, mas seguiu mostrando divergência entre membros da autoridade sobre quando os EUA deverão iniciar um ciclo de aperto monetário. Os membros do Fomc também elevaram suas projeções para os preços em 2011, e cortaram as expectativas para o PIB.

Brasil: inflação segue em pauta
Por aqui, a inflação seguiu como principal assunto do mercado. Na última semana, contudo, os dados mostraram certa desaceleração – caso do IPC-Fipe e do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal). O Relatório Focus, do BC, também segue indicando queda na mediana das projeções para o IPCA em 2011.

Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, declarou que o objetivo do Governo é trazer a inflação para o máximo possível para o centro da meta ainda em 2011. O presidente do BC, contudo, ressaltou que as medidas tomadas pelo governo para conter a inflação só surtirão efeito no final do segundo trimestre. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também afirmou que a política monetária nacional está “na medida certa”, e que a inflação deverá respeitar as metas.

Na agenda, o indicador Serasa Experian indicou que a economia brasileira cresceu 1,4% nos três primeiros meses deste ano, na comparação com o último trimestre do ano passado. No mercado de trabalho, a PME (Pesquisa Mensal de Emprego) mostrou que a taxa de desemprego de abril foi de 6,4%, a menor registrada para o período desde o início da série histórica. 

O mercado repercutiu ainda a decisão do Governo de voltar a cobrar o IOF nas operações de renda fixa de curto prazo. No último mês de janeiro, a alíquota desse imposto havia sido zerada para os títulos privados, permanecendo a cobrança apenas para os títulos públicos. 

Ainda no front doméstico, a agência de classificação de risco S&P reafirmou os ratings para a dívida do Brasil denominada em moeda estrangeira em “BBB-“, mas elevou a perspectiva para a nota de estável para positiva. Por fim, no cenário político nacional, a novela envolvendo o patrimônio do ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, foi o foco do mês. 

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Europa
No cenário externo, as preocupações se voltaram para a Grécia. Em meio a rumores de reestruturação da dívida, a Standard & Poors rebaixou o rating do crédito soberano grego de longo prazo de “BB-” para “B”. Já a Moody’s colocou a nota do país em revisão para um possível corte. Novas medidas de austeridade também repercutiram.

A Grécia foi o foco principal, mas não único, das preocupações. Na Espanha, o partido governista perdeu as eleições locais em meio a protestos contra medidas de ajuste fiscal. Já a Bélgica teve a perspectiva para seu rating rebaixada para negativa pela Fitch – mesmo movimento feito pela S&P para o rating italiano. Vale destacar ainda que os ministros da região acertaram pacote de auxílio de € 78 bilhões para Portugal.

Cenário corporativo e as pontas do Ibovespa
O final da temporada de resultados trouxe números de peso – entre eles, os resultados trimestrais de Petrobras (PETR3, PETR4) e Vale (VALE3, VALE5). Apesar de números considerados bons tanto para a petrolífera quanto para a mineradora, as duas blue chips acabaram atraindo mais atenção por outros motivos além do balanço em si.

No caso da mineradora, a expectativa  para o mercado de minério de ferro, os possíveis atrasos – e  não cumprimento do plano de investimentos e metas de produção – e o novo CEO (Chief Executive Officer), Murilo Ferreira, foram os principais assuntos.

Os investimentos da estatal também ficaram em pauta, já que a Petrobras não anunciou seu plano de investimentos, como era previsto. Em teleconferência com analistas, Almir Barbassa, diretor financeiro da empresa afirmou que é possível que haja redução dos investimentos.

As ações ordinárias da Hypermarcas (HYPE3) lideraram isoladas as quedas do Ibovespa no mês (-29,22%) depois da má recepção ao balanço referente ao primeiro trimestre de 2011. Os analistas avaliaram os números como “fracos” e abaixo do esperado, sobretudo por conta da mudança na política comercial da empresa. O Credit Suisse chegou a reduzir seu preço-alvo para as ações da companhia, assim como o HSBC, que também cortou a recomendação dos papéis para “neutra”.

Na outra ponta do índice, aparecem os papéis de outra varejista – a Lojas Americanas (LAME4), com ganhos de 13,93%. As ações da empresa ganharam fôlego após a divulgação de seus resultados, que agradaram analistas, que elogiaram os esforços da empresa em melhorar sua eficiência.

Ainda no front corporativo, chamou a atenção o noticiário envolvendo fusões e aquisições. A Brasil Ecodiesel (ECOD3), por exemplo, ficou em foco depois da rejeição de seu conselho da proposta de incorporação da Vanguarda. No campo dos rumores, a possível negociação de fusão entre Carrefour e Pão de Açúcar (PCAR4) mexeu com as ações da varejista no final do mês, bem como o imbróglio que ronda a fusão entre TAM (TAMM4) e Lan – que acabou envolvendo também a GOL (GOLL4), que estaria sendo considerada como alternativa pela chilena. Por fim, o Grupo Oi anunciou a reestruturação societária, que deve simplificar a estrutura do Grupo de telefonia.

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