HSBC eleva preço-alvo de ação da Copel, mas rebaixa recomendação para neutra

Congelamento das tarifas deve pressionar o desempenho do setor de distribuição da companhia na primeira metade de 2010

SÃO PAULO – Revisando suas premissas, o HSBC Global Research elevou o preço-alvo esperado nos próximos 12 meses das ações da Copel (CPLE6), passando de R$ 36 para R$ 40. Contudo, por conta do limitado upside, a recomendação desses papéis foi rebaixada para “neutral” (desempenho dentro de 5 pontos percentuais acima ou abaixo da taxa mínima de retorno exigida para as ações brasileiras, de 12%).

De acordo com os analistas Reginaldo Pereira e Eduardo Gomide, os resultados da empresa deverão ser penalizados por conta do congelamento de suas tarifas, já que, em junho de 2009, a Copel teve autorização de aplicar sobre elas um aumento de 13%. “Sem o repasse dos custos não gerenciáveis e com a possível divulgação de altas despesas com terceirização em manutenção da grade no 1T10, o braço de distribuição deve colocar pressões sobre o resultado da Copel em 2010”, preveem.

Diante desse cenário, a equipe da corretora projeta uma queda de 54% no Ebitda (geração operacional de caixa) de distribuição da Copel na comparação entre o primeiro semestre deste ano com o de 2009. Nem mesmo a expectativa de crescimento em torno de 7% no consumo de clientes cativos deverá trazer benefícios às margens da empresa, “já que os custos de energia elétrica devem seguir o aumento da demanda”.

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Múltiplos denotam queda do risco político
Analisando os múltiplos da companhia, a dupla de especialistas osberva uma menor preocupação dos mercados diante de uma interferência política na gestão da Copel. Com 2010 marcando o último ano de mandato do governador do Paraná, Roberto Requião, as ações da empresa têm sido negociadas com um múltiplo VF/Ebitda de 5,7x, acima da média vista entre 2004 e 2009, que foi de 4,6x. Contudo, o número está abaixo do múltiplo esperado pelo banco em 2010, de 6,2x.

Apesar de ressaltarem o declínio nos riscos políticos envolvendo a empresa, os analistas acreditam que a companhia não conseguirá seguir a média do setor. A ineficiente estrutura de capital da empresa, uma distribuição de dividendos abaixo da média vista por seus pares e sua estratégia de crescimento pouco clara são os fatores levantados por Pereira e Gomide para justificar o posicionamento adotado.