Política

Heleno fala em “chantagem” do Congresso com Orçamento impositivo; Maia rebate: “radical ideológico”

Fala do ministro foi captada em evento oficial e mostra incômodo no governo com termos de acordo sobre vetos ao orçamento impositivo

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SÃO PAULO – Em meio às dificuldades de governo e parlamento chegarem a um acordo sobre a alocação dos recursos dentro do chamado Orçamento impositivo, um dos principais auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ministro Augusto Heleno (Secretaria Institucional) chamou a postura de congressistas de “chantagem”.

A irritação do ministro foi registrada durante a cerimônia de hasteamento da bandeira no Palácio da Alvorada, na manhã da última terça-feira (18). No áudio, captado de conversa com os ministros Paulo Guedes (Economia) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Heleno disse que o governo não pode “aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo”.

Pelo Twitter, o ministro se manifestou sobre o episódio após o vazamento: “Externei minha visão sobre as insaciáveis reivindicações de alguns parlamentares por fatias do orçamento impositivo. Isso, a meu ver, prejudica a atuação do Executivo e contraria os preceitos de um regime presidencialista. Se desejam o parlamentarismo, mudem a constituição”.

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu às falas e chamou o chefe do GSI de “radical ideológico”. “Geralmente na vida, quando a gente vai ficando mais velho, vai ganhando equilíbrio, experiência e paciência. O ministro, pelo jeito, está ficando mais velho e está falando como um jovem”, afirmou. “Uma pena que um ministro com tantos títulos tenha se transformado num radical ideológico”.

“Eu não ouvi da parte dele nenhum tipo de ataque ao parlamento quando a gente estava votando o aumento do salário dele como militar da reserva”, completou o deputado, em referência à aprovação do projeto de lei que reformou a aposentadoria de militares das Forças Armadas.

O episódio ocorre dias antes de o Congresso Nacional discutir sobre vetos do presidente às regras aprovadas para o Orçamento deste ano, que dão maior controle aos parlamentares sobre a alocação dos recursos. Aliados de Bolsonaro chegaram a chamar de “golpe do parlamentarismo branco” a tentativa de deputados e senadores de assumir o controle de R$ 30 bilhões do total de R$ 80 bilhões da fatia livre para destinações do Orçamento de 2020.

Um acordo chegou a ser construído entre governo e lideranças parlamentares na semana passada, a partir do qual o Executivo reassumiria o controle sobre R$ 11 bilhões das despesas discricionárias e ficaria de fora o prazo de 90 dias para garantir o pagamento de emendas.

Insatisfeito com os termos definidos, Bolsonaro recuou e determinou que seus auxiliares voltassem à mesa para negociar. Nos bastidores, há uma tentativa de se criar uma nova divisão, que deve ficar para depois do Carnaval.

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