Análise

Haddad poderá chegar em Bolsonaro mais rápido do que se esperava

Quanto mais aparente que pode chegar ao poder, mais amigos Haddad ganhará

Logo após a prisão de Lula afirmamos que isso traria um interesse acima da média sobre o ex-presidente, que se manteria no centro do tabuleiro político e manejando muitas peças do jogo. Da prisão em Curitiba, Lula confirma os prognósticos e controla com relativa facilidade parte das eleições presidenciais de 2018.

Três pesquisas seguidas confirmam a substancial subida de Lula — que se estivesse solto poderia levar a disputa já no primeiro turno, e o potencial de votos que ele pode transferir não é nada desprezível. Fernando Haddad, que deve substituir Lula, poderá chegar perto do tamanho de um Bolsonaro com alguma tranquilidade e mais rápido do que se esperava.

A campanha do PT se baseará na máxima “Lula é Haddad e Haddad é Lula”. Quem viu as peças de propaganda do PT nos últimos dias sabe que o partido não “perdeu a mão”, já faz e fará campanha muito bem, especialmente em aspectos emocionais — e, no primeiro turno, com foco no eleitorado tradicional de Lula, não precisam nem ampliar o espectro para terem um bom resultado. A máquina do PT já não é a mesma, mas ainda existe e está azeitada.

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Fernando Haddad, quanto mais aparente que pode chegar ao poder, mais novos amigos ganhará. Parte da base do MDB e do Centrão do Nordeste que apoiava Lula, mas observava como se sairia seu substituto, deve voltar a progressivamente a se engajar na campanha presidencial do petista.

Jair Bolsonaro segue fortíssimo candidato a ter a outra vaga no segundo turno. Parte porque ele tem feito campanha muito competente no seu eleitorado, parte porque o crescimento de Lula ajuda — e ajudará — Bolsonaro, e o de Bolsonaro ajudará Lula, e por aí vai. O mês que vem trará um desafio interessante ao deputado, que terá de encontrar meios eficientes de resposta aos ataques que sofrerá na televisão, especialmente da campanha de Alckmin. Segue chamando a atenção o fato de ele não ter grande desempenho no segundo turno. Isso pode lhe custar alguns votos úteis na centro-direita nos últimos dias de campanha.

Marina, Ciro, Meirelles e Álvaro Dias não indicam grande potencial para deslanchar uma campanha forte o suficiente para furar as bolhas do Lulismo de um lado, e de Bolsonaro do outro.

Por último, Geraldo Alckmin. Hoje temos uma espécie de guerra de trincheiras — Lula de um lado, Bolsonaro de outro, e o centro é a terra de ninguém. A única possibilidade de Alckmin romper esta lógica e conseguir falar com o eleitor é, portanto, usando seu latifúndio na televisão a partir de 31 de agosto. Foi por isso que tanto esforço em ter o centrão foi feito. Descartamos um crescimento de Alckmin? Não. Ele vai crescer em São Paulo e no Brasil. O que não é óbvio hoje é se será a ponto de ir para o segundo turno, onde ele tem desempenho bom contra os adversários. Não é fácil a vida do ex-governador, mas há que se esperar um pouco mais, e é por isso que ainda o consideramos no primeiro pelotão dos que lutam por duas vagas no segundo turno: Fernando Haddad, Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin.