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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (18) que não irá comentar a intervenção no Banco Master nem a prisão do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, por se tratar de um tema sob responsabilidade do Banco Central (BC).
Em conversa com jornalistas, porém, sinalizou confiança na consistência das investigações. “Tenho certeza que, para ter chegado nesse ponto, todo esse processo deve estar muito robusto”, afirmou.
A declaração foi dada após a prisão de Vorcaro pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos, quando ele tentou embarcar em um voo particular. Segundo a PF, a ação foi antecipada diante do risco de fuga e investiga crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa, gestão temerária e a venda de títulos de crédito falsos. A defesa nega fuga.
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Quem é Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que foi preso pela PF?
Mineiro de pouco mais de 40 anos assumiu o controle do Banco Master em 2018

PF faz buscas no Banco de Brasília (BRB) em operação que prendeu dono do Master
Ação ocorre após liquidação do Master, e quase um mês após o BC barrar a oferta do BRB para adquirir o banco de Daniel Vorcaro
Horas após a prisão, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e determinou a indisponibilidade dos bens de controladores e ex-administradores. Parte do conglomerado financeiro também foi colocada em regime de administração especial temporária.
Haddad afirmou que cabe ao BC informar os próximos passos do processo. Questionado sobre eventuais perdas para clientes e o acionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), disse que a Fazenda acompanhará os desdobramentos e dará o suporte necessário. “O que cabe à Fazenda é dar suporte para as consequências desse ato. Se houver, nós estamos aqui prontos para colaborar”, disse.
Operação da PF
Segundo a PF, após o anúncio de que o grupo Fictor pretendia comprar o Master, Vorcaro deixou a sede do banco, seguiu de helicóptero para Guarulhos e tentou embarcar imediatamente para a Europa. Para os investigadores, havia indícios claros de que ele pretendia deixar o país antes da operação vir à tona.
A ação, batizada de Compliance Zero, cumpre sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em cinco estados e no Distrito Federal. A investigação teve início em 2024, quando surgiram sinais de fabricação e venda de carteiras de crédito sem lastro pelo conglomerado.