Memória

Há 4 anos, morte de Eduardo Campos abalava o Brasil – e o mercado

A notícia, além do choque inicial, trouxe grande incerteza do mercado financeiro sobre o que poderia acontecer em meio a também disputada eleição de 2014

SÃO PAULO – O segundo semestre de 2018 mal começou e já de forte volatilidade no mercado, com os investidores de olho principalmente no incerto cenário eleitoral. Porém, se voltarmos ao pregão do Ibovespa de exatos 4 anos atrás, em 13 de agosto de 2014, veremos que estes últimos dias que passamos foi de relativa tranquilidade – principalmente no ambiente político.

Isso porque a sessão de quatro anos atrás – mais precisamente uma quarta-feira – foi marcada por uma tragédia sem precedentes: a morte do candidato ao PSB pela Presidência da República, Eduardo Campos, e de mais seis pessoas em uma queda da aeronave em Santos, São Paulo. 

A tragédia, além do grande choque inicial, trouxe grande incerteza do mercado financeiro sobre o que poderia acontecer em meio a também disputada eleição de 2014. Naquela sessão, o Ibovespa registrou queda de 1,53%,com um volume bem acima da média, com cada especialista traçando um cenário diferente no pós-eleições logo após a tragédia ter ocorrido.

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Vale ressaltar que, logo após a confirmação de que o acidente vitimou Eduardo Campos, o índice chegou a perder 2,1%, com a primeira reação do mercado sendo muito negativa em meio à especulação de que a vice na chapa de Campos, Marina Silva, também pudesse estar naquele avião, o que provou mais tarde não ser verdadeiro. 

O mercado temia a probabilidade de que Dilma Rousseff – o grande elemento de aversão ao risco do mercado na época por suas políticas pouco amistosas aos investidores – pudesse ser eleita no primeiro turno caso aquele cenário se confirmasse na época. 

Depois de serem confirmadas as vítimas do trágico acidente, naquela época a especulação passou a ser se Marina Silva, a vice de Campos, iria disputar a eleição. A ex-senadora, depois de um suspense de cerca de uma semana, anunciou que seria candidata a presidente e começou a despontar nas pesquisas, levando a uma verdadeira “onda Marina Silva”, que também impulsionou os mercados dada a sua força na disputa com Dilma.

No Datafolha divulgado em 26 de agosto daquele ano, simulação de segundo turno apontava Marina dez pontos à frente de Dilma, o que embasou o rali do Ibovespa de mais de 11% em apenas 14 pregões, já que a então candidata do PSB era vista como mais pró-mercado que a petista. 

Contudo, durante o mês de setembro de 2014, em meio a uma verdadeira artilharia dos marqueteiros do PT contra Marina, a candidata do PSB acabou “se desidratando” e Dilma voltou a ganhar força, o que azedou o mercado. Tanto Marina se “desidratou” que ela não chegou ao segundo turno, mas acabou “dando lugar” ao também pró-mercado (e até mais do que ela) Aécio Neves (PSDB-MG) na disputa com Dilma. O tucano inclusive teve uma votação mais expressiva do que o esperado na primeira etapa, fazendo com que o Ibovespa subisse 4,72% no dia seguinte ao primeiro turno. 

Sucederam-se então três semanas de forte volatilidade, ao sabor das pesquisas eleitorais, que ora mostravam maior força da petista, ora maior força do tucano. No final das contas, Dilma foi reeleita por uma margem pequena de votos com 51,64% dos votos, ante 48,36% do candidato tucano, o que levou a um forte movimento de aversão ao risco nos mercados, para depois eles se recuperarem com a entrada do ministro da Fazenda, Joaquim Levy e, depois, com as perspectivas de impeachment – mas essa já é outra história. 

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Se em 2018 as eleições já prometem, 2014 mostrou que uma eleição que já tinha ingredientes para ser intensa ficasse ainda mais “nervosa” para a população e, consequentemente, para o mercado, em meio a uma fatalidade tão grande e que não seria possível de ser prevista. Se o que alcança a vista parece ser nebuloso, o “imponderável” acaba levando a um cenário ainda maior de incerteza – e surpreendendo eleitores e o mercado, algo que foi visto com grande intensidade em 2014. 

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