Gustavo Franco vê equívocos em estratégia do Governo de incentivar gastos públicos

Para ex-presidente do Banco Central e co-CEO da gestora Rio Bravo, foco deve ser na formação de capital do setor privado

SÃO PAULO – O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco criticou a estratégia do Governo Lula de incentivar investimentos públicos para combater os efeitos da crise no Brasil. Para ele, “há um equívoco sobre o que deve ser a atuação do governo”, que deveria focar na formação de capital do setor privado.

“As medidas que eu imaginaria mais próprias seriam aquelas que aliviassem as empresas, seja do ângulo tributário, seja do ângulo dos encargos trabalhistas e, evidentemente, também do crédito”, afirmou em entrevista ao Podcast Rio Bravo.

Para o co-CEO da gestora de recursos Rio Bravo, essas seriam as maneiras de evitar que as empresas não reduzam as intenções quanto a gastos de capital e investimentos no futuro. “E não através do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), cuja influência sobre isso é residual, é uma sinalização e nada mais”.

Câmbio

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Franco também comentou sobre a expressiva valorização do dólar, dedicando boa parte do discurso aos problemas em decorrência das apostas em derivativos de câmbio por parte de algumas companhias. “O quanto disso ainda permanece é difícil dizer, mas parece ser uma pressão ainda pendente sobre o mercado”, disse.

O ex-BC destacou que o episódio deixou claro o quanto a volatilidade atrapalha o mercado de câmbio. “Há virtudes inegáveis no regime de flutuação cambial, mas é muito ruim quando flutua demais. Uma economia estável tem inflação baixa, mas sem desvalorização do câmbio de 45% de um mês para o outro”, concluiu.