Aumento do crédito

“Guinada econômica” do governo não deu certo no Dilma I – e deve dar menos ainda agora

Barbosa sinalizou que o reforço de quase R$ 50 bilhões no caixa do BNDES, BB e CEF por conta do pagamento das pedaladas será aproveitado pelo governo para aumentar a oferta de crédito, mas consultoria destaca que fica difícil imaginar que a demanda por crédito vai crescer

SÃO PAULO – O reforço de quase R$ 50 bilhões no caixa do BNDES, BB e CEF por conta do pagamento das pedaladas fiscais em dezembro será aproveitado pelo governo para aumentar a oferta de crédito, conforme sinalizou o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, em entrevista para a Folha de S. Paulo do último domingo.

“A estratégia é semelhante àquela utilizada no primeiro mandato de Dilma, pois serão escolhidos alguns setores prioritários que poderão acessar essa oferta de crédito dos bancos oficiais”, ressalta a LCA Consultores. 

Porém, ressalta a consultoria, esta não é uma boa ideia: “eleger setores, forçar os bancos públicos a aumentar a oferta de crédito já foram medidas utilizadas e que não deram certo no primeiro mandato de Dilma, quando a economia apresentava melhores números. Atualmente, com a baixa confiança dos empresários e das famílias, com o endividamento elevado no setor privado e com o cenário de continuidade da recessão e de alta do desemprego, fica difícil imaginar que a demanda por crédito vai crescer em resposta ao aumento do crédito pelos bancos oficiais”.

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Por outro lado, o governo deu aval para que o Banco Central continue com a alta de juros para combater a inflação. Em carta enviada ao Ministério da Fazenda para justificar o estouro do teto da meta de 6,5% ao ano em 2015, Alexandre Tombini deixou aberta a possibilidade de novas altas da Taxa Selic para conter os efeitos secundários dos recentes choques de preços ao repetir a mensagem de outros documentos oficiais de que o BC poderá adotar as medidas necessárias para alcançar os seus objetivos.

“Destacamos a alta recente da taxa cambial, a rodada de aumento das tarifas de transportes públicos e do aumento de impostos federais e estaduais como fatores que justificariam novas ações do BC”, afirma a consultoria, que espera uma elevação da Selic de 100 pontos-base no primeiro trimestre, para 15,25% ao ano.

 

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