Perspectivas

“Guerra” entre os Poderes, emprego nos EUA e IPCA: os 6 eventos que vão agitar a próxima semana

Confira os principais destaques da agenda política e econômica da primeira semana de outubro

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SÃO PAULO – Após um período que se encerra com dados surpreendentes no campo fiscal e oferece alívio à equipe econômica em meio a sucessivos baldes de água fria com a arrecadação abaixo do esperado, a agenda de indicadores da próxima semana terá como destaque os números da inflação oficial em setembro e PMIs (Purchasing Manager Index) da indústria e setor de serviços para o Brasil, Europa e Estados Unidos. Na maior economia do mundo, uma bateria de indicadores (com destaque para o mercado de trabalho) poderá dar mais sinais sobre qual tende a ser o próximo passo do Federal Reserve em seu ciclo de elevação dos juros. Tais elementos, juntamente com os desdobramentos da conturbada agenda política, deverão dar o tom do mercado brasileiro, que viu o Ibovespa encerrar setembro com uma alta acumulada superior a 5%. Na China, um feriado semanal paralisará as atividades.

Está distribuída entre segunda e quarta-feira a divulgação dos dados da indústria e serviços importantes. No caso brasileiro, o PMI industrial referente a setembro, medido pelo HSBC, será apresentado aos investidores na segunda-feira (2), às 9h (horário de Brasília), mesmo dia em que o Markit apresentará os mesmos dados para Alemanha (às 4h55), Zona do Euro (às 5h), Reino Unido (às 5h30) e EUA (às 10h45) — onde também serão apresentados os dados do ISM Industrial, às 11h.

No dia seguinte, ganha atenção dos investidores a Pesquisa Industrial Mensal pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de agosto, às 9h. A expectativa dos analistas da Rosenberg Associados é de leve recuo na margem, em um movimento natural após quatro altas consecutivas na comparação interanual. “De maneira geral, segue a recuperação da indústria, com volta também das contratações, como mostram os dados da PNAD divulgados na semana passada”, escreveram em relatório a clientes. Eles esperam que o indicador registre queda de 0,2% na comparação mensal dessazonalizada e alta de 4,7% na comparação anual.

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Os dados do PMI de serviços dominam a agenda dos investidores na quarta-feira (4), com os números do Markit para Alemanha (às 4h55), Zona do Euro (às 5h), Reino Unido (às 5h30) e EUA (às 10h45) em setembro chamando a atenção. Na mesma data, a maior economia do mundo divulga os estoques semanais de petróleo, às 11h30, o que tende a movimentar os preços da commodity no mercado internacional. Contudo, o grande destaque da maior economia do mundo fica com os números do ADP Employment, na mesma quarta-feira, às 9h15, e o relatório do emprego de setembro, sexta-feira, às 9h, que tendem a balizar as próximas posições do Fed na condução da política monetária. As expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg são que o indicador caia para 80 mil, cerca da metade registrada em agosto. A agenda norte-americana também conta com os discursos de importantes autoridades do Fed, como os diretores Kaplan, Powell, Dudley e Bullard.

Por fim, a sexta-feira contará com os números do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de setembro, divulgados pelo IBGE às 9h. A expectativa dos analistas da Rosenberg Associados é que o indicador acumulado em 12 meses registre sua menor taxa em todo o ciclo desinflacionário. As apostas dos economistas consultados pela Bloomberg são que a inflação oficial desacelere para 0,08% de alta na comparação mensal, ficando em 2,46% no acumulado de 12 meses. Na contramão do otimismo, espera-se que, ainda na sexta-feira, a bandeira tarifária saia de amarela para o patamar 2 da vermelha em outubro.

Destaques de Brasília

Na política, o mercado deverá observar a tramitação da denúncia contra o presidente Michel Temer na CCJC (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) da Câmara dos Deputados, que escolheu Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) — membro da base aliada — como relator. Ainda na agenda legislativa, destaque para os últimos passos dos parlamentares na tentativa de aprovar a reforma política, sobretudo um fundo de financiamento para campanhas.

Contudo, o grande destaque de Brasília ficará com o choque entre Poderes, protagonizado por Supremo Tribunal Federal e Senado na decisão da Primeira Turma da Corte que afastou Aécio Neves (PSDB-MG) de suas funções legislativas por decisão apertada. A medida foi entendia pelos senadores como uma ingerência indevida, que abriria a possibilidade de ser revogada no plenário da casa legislativa — o que poderia gerar um impasse entre as instituições. Tal decisão, entretanto, foi adiada para terça-feira, o que oferece a oportunidade ao STF de levar a questão ao pleno antes, e “resolva” a questão sem que o Senado tenha de agir. [Para entender todo o imbróglio e suas implicações, clique aqui].