Grupo ligado ao filme sobre Bolsonaro recebeu ao menos R$ 614 mi do Master

Empresas associadas à produção de “Dark Horse” aparecem em operações investigadas pela PF e pela CVM no caso Banco Master

Marina Verenicz

Um segurança permanece de guarda em frente ao Banco Master, após a prisão do acionista controlador da instituição financeira, o empresário Daniel Vorcaro, em São Paulo, Brasil, em 18 de novembro de 2025. REUTERS/Amanda Perobelli
Um segurança permanece de guarda em frente ao Banco Master, após a prisão do acionista controlador da instituição financeira, o empresário Daniel Vorcaro, em São Paulo, Brasil, em 18 de novembro de 2025. REUTERS/Amanda Perobelli

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O Banco Master teria investido cerca de 614 milhões de reais em empresas que compunham o grupo Entre, que, segundo o site The Intercept Brasil, financiou a produção “Dark Horse, filme sobre a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Segundo a apuração do site, o Grupo Entre teria sido usado para transferir 10 milhões de dólares de Vorcaro para um fundo supostamente ligado à família Bolsonaro e à produção do filme do ex-presidente. 

O conglomerado empresarial recebeu, de acordo com levantamento do UOL baseado em documentos da investigação, cerca de R$ 614 milhões em operações financeiras envolvendo o Master.

As empresas integravam um grupo fundado e controlado por Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. As investigações da Polícia Federal apontam suspeitas de que Freixo Júnior atuava como operador financeiro da estrutura montada por Vorcaro.

Ainda segundo relatos do UOL, a PF cita operações consideradas atípicas envolvendo empresas do Grupo Entre, emissões de títulos, aportes financeiros e circulação de recursos entre fundos associados ao Banco Master.

Uma das operações identificadas envolve a emissão de R$ 71 milhões em títulos pela Entre Investimentos, posteriormente pagos pelo Master com vencimento previsto para 2025.

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Outra frente da investigação envolve a Entre Payments, que recebeu R$ 213 milhões do Fundo Máxima, estrutura ligada ao banco, além de R$ 330 milhões em pagamentos de debêntures feitos pelo próprio Master.

Repasses para o filme

O Intercept Brasil afirmou que cerca de US$ 10 milhões teriam sido transferidos por estruturas ligadas a Vorcaro para um fundo supostamente associado à produção do filme e à família Bolsonaro.

Segundo a reportagem, os repasses foram negociados diretamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que confirmou as tratativas financeiras, mas negou qualquer irregularidade ou recebimento de vantagens pessoais.

A produção cinematográfica se tornou um novo eixo das investigações depois que vieram à tona áudios e mensagens em que Flávio cobrava pagamentos atrasados de Daniel Vorcaro.

A relação financeira entre o Grupo Entre e o Banco Master, porém, antecede o episódio do filme.

O conglomerado empresarial também participou da estratégia de expansão midiática atribuída a Vorcaro, incluindo a aquisição do site da revista IstoÉ.

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Além da PF, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também investiga operações envolvendo empresas do grupo.

A Entre Investimentos foi identificada como intermediária em movimentações relacionadas ao fundo imobiliário Brazil Realty FII, caso que gerou prejuízos a fundos de previdência de servidores públicos.

Segundo as investigações, empresas da família Vorcaro teriam adquirido cotas do fundo usando ativos considerados superavaliados em vez de aportes financeiros tradicionais.

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Relatórios recentes enviados ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) também apontaram inconsistências patrimoniais envolvendo a Entre Investimentos.

A empresa declarou possuir R$ 316 milhões aplicados em fundos administrados pela Reag Trust. A posição real, porém, superaria R$ 2,3 bilhões distribuídos em seis fundos diferentes.

Na avaliação dos órgãos de controle, esse tipo de divergência pode dificultar rastreamento patrimonial e favorecer práticas de ocultação de recursos e lavagem de dinheiro.

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Em nota enviada anteriormente ao UOL, o Grupo Entre afirmou que suas operações foram conduzidas “dentro dos parâmetros legais e regulatórios” e declarou colaborar com as autoridades.