Ainda dá

“Governos enfraquecidos também conseguem governar”, diz ex-porta-voz do governo

Em teleconferência, André Singer disse que manifestações não tem força para um impeachment e reduziu qualquer chance da saída de Dilma do poder

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SÃO PAULO – Um dia após a terceira grande manifestação contra o atual governo Dilma Rousseff, o ex-porta-voz e secretário de imprensa de Lula, André Singer realizou uma teleconferência para tratar o assunto. Segundo ele, que é cientista político e professor da USP, os protestos não têm um caráter “avassalador” que poderia culminar com o processo “irrefreável” de impeachment da presidente Dilma.

De acordo com Singer, os atos ganharam um caráter antipetista, focados em palavras de ordem contra o PT e contra Dilma, e deixaram de lado demandas claras assim como propostas para o país. “O aspecto antipetista é muito forte, mas não está claro o que esse movimento quer”, disse. “É um pouco mais radical do que se apresentou em março porque é um movimento de ‘tudo ou nada'”.

“Governos enfraquecidos também conseguem governar. Não é tão fácil como quando se está forte, mas temos um regime presidencialista, que precisa lidar com o fato de que nem sempre o presidente será forte”, disse o cientista político durante a teleconferência organizada pela consultoria GO Associados.

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“Estão se concentrando em palavra de ordem como Fora Dilma, Fora PT”, disse. “O movimento não tem a velocidade que permita prever um desfecho do tipo impedimento. Mas isso não quer dizer que isso [o impeachment] esteja completamente afastado do cenário”, completou Singer.

Para finalizar, o cientista político reduziu qualquer chance de um impeachment de Dilma ao dizer que não há base jurídica para afastar a presidente do cargo. “Penso que uma iniciativa nesse sentido tem aspecto de golpe branco e renúncia parece coisa mal colocada. A presidente já disse várias vezes que não vai renunciar. Ela tem o mandato, que é legítimo”, disse. “O país não está em situação de desgoverno. Não vejo isso de modo algum. Não entendo essa posição a respeito da renúncia, como se o Brasil precisasse de uma substituição de governo para um programa alternativo que não está claro”.