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Governo teme manobra de Cunha pelo impeachment de Dilma e prepara reação

Apesar de Dilma entregar duas pastas, da Saúde e da Ciência e Tecnologia, a deputados do baixo clero ligados a Cunha, o governo teme a possibilidade de o presidente da Câmara dos Deputados dar seguimento aos pedidos de impeachment que tramitam na Casa

SÃO PAULO – Horas depois de concluir a reforma ministerial, que deu mais pastas e Orçamento ao PMDB no governo, a presidente Dilma Rousseff mandou os seus auxiliares se prepararem para reagir caso o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se movimente para deflagrar o processo, conforme informa o jornal Folha de S. Paulo

Apesar de Dilma entregar duas pastas, da Saúde e da Ciência e Tecnologia, a deputados do baixo clero ligados a Cunha, o governo teme a possibilidade de o presidente da Câmara dos Deputados dar seguimento aos pedidos de impeachment que tramitam na Casa. Assim, ele deixaria avanças os pedidos de impeachment na tentativa de desviar o foco dele, que é acusado de ter na Suíça aproximadamente US$ 5 milhões em contas até então secretas que seriam provenientes de propina, segundo o Ministério Público suíço. 

Para o Planalto,  as acusações contra o presidente da Câmara tiram força do movimento pró-impeachment. Porém, Cunha deve insistir em deflagrar o processo, com objetivo de criar uma cortina de fumaça que o ajude a se defender das denúncias.

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Cunha recebeu 19 pedidos de impeachment desde fevereiro e já arquivou 11 até a semana passada. O principal pedido de impeachment, formulado por Hélio Bicudo e Miguel Reale, continua na mesa do presidente da Câmara. Cunha também deve rejeitar esse pedido mas, numa possível manobra já articulada, a oposiçãorecorreria ao plenário para que a maioria dos deputados desse a palavra final sobre o assunto. Seria possível assim abrir o processo de impeachment e afastar Dilma da Presidência sem vincular Cunha diretamente à iniciativa.

Semana que vem, o TCU (Tribunal de Contas da União) também pode rejeitar as contas do governo referentes a 2014, dando força ao impeachment. Apesar dos riscos, a presidente chegou ao fim da semana aliviada com o desfecho da reforma ministerial, segundo o jornal, avaliando que ela deve atenuar a crise.