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Horas após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ser alvo de operação da Polícia Federal por supostos crimes contra a soberania nacional, o governo federal publicou, em suas redes sociais, um vídeo institucional com tom afirmativo: “Sextou com S de Soberania”.
A postagem ocorre no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) impôs ao ex-mandatário medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e restrições de comunicação com diplomatas estrangeiros.
O vídeo exibe imagens que remetem à diversidade do povo brasileiro, ao som de uma música com versos como “não mexe com meu Brasil”, “nosso país é soberano, você vai ter que respeitar” e “quem manda no Brasil é o povo brasileiro”.
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A mensagem, embora não cite nomes ou casos específicos, foi publicada no mesmo momento em que crescem os embates públicos entre o governo dos EUA, a família Bolsonaro e o Judiciário brasileiro.
Apesar da publicação institucional, o Palácio do Planalto optou por não se manifestar oficialmente sobre a operação da PF. A estratégia de silêncio, segundo apuração do jornal O Globo, é liderada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e visa preservar a postura de distanciamento do governo federal em relação às decisões do STF.
Acusação contra Bolsonaro
A investigação que motivou a operação desta sexta-feira (18) aponta que Bolsonaro teria articulado com aliados nos Estados Unidos a imposição de sanções contra o Brasil, para pressionar o Judiciário.
A PF identificou movimentações de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, em reuniões com representantes do governo Trump, além de declarações públicas que teriam servido de provocação diplomática e jurídica.
A decisão de Moraes também menciona manifestações recentes do presidente dos EUA, Donald Trump, incluindo uma carta divulgada nesta semana, em que o republicano anuncia a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Para o ministro do STF, o documento representa “atentado à soberania nacional” e integra uma estratégia coordenada para desestabilizar as instituições brasileiras.
A acusação contra um ex-presidente marca um novo capítulo na crise que envolve Judiciário, bolsonarismo e agora também a política externa. A decisão judicial também impõe a Bolsonaro a proibição de uso de redes sociais, aproximação de embaixadas e contato com investigados no mesmo inquérito.