Governo espera conseguir reduzir déficit da previdência

Iniciativa exigiria mudanças em alguns direitos adquiridos, o que contraia discurso do governo; previsão é que déficit caia de 5,5% para 3% do PIB

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SÃO PAULO – O objetivo certamente é ambicioso, mas a realidade da Previdência Social no Brasil exige este tipo de postura. O grande problema é que o objetivo estabelecido pelo governo parece não ir de encontro com as concessões que já acenou que pretende fazer no que se refere à reforma da previdência.

Depois de um início bastante promissor em que o atual ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, anunciou que pretendia unificar o teto de todos os regimes previdenciários do país, de forma a tornar o sistema mais igualitário, o ministro acabou sendo forçado a voltar atrás em algum dos tópicos tidos como cruciais ao sucesso da reforma.

Déficit cairia para 3% do PIB

Ainda assim o secretário de relações internacionais do Ministério da Fazenda, Otaviano Canuto, divulgou em reunião com investidores promovida pelo banco alemão Dresdner Kleinwort Wassertein, que a reforma previdenciária que o atual governo pretende enviar para aprovação no Congresso deve permitir uma redução do déficit da previdência de 5,5% do PIB (Produto Interno Bruto) para algo em torno de 3% do PIB.

Apesar do otimismo, o próprio secretário concordou que a meta é ambiciosa demais para ser alcançada sem a mudança nas regras de alguns direitos adquiridos, o que certamente contraria o discurso que vem sendo adotado até o momento por representantes do ministério da previdência.

Retomada do crescimento econômico é vital

Contudo, o secretário alertou os investidores para a diferença entre direitos adquiridos e direitos presumidos. Isto significa que os servidores ainda na ativa não teriam direitos garantidos, mas sim presumidos.

Em seu discurso aos investidores, Canuto afirmou que o maior desafio para o atual governo seria o de impulsionar o crescimento da economia, que no ano passado cresceu apenas 1,52%.

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Na opinião do secretário, a popularidade do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se manter pelo menos até o início do próximo ano, independente do desempenho da economia. Até lá a intenção do governo é ter conseguido aprovar a reforma da previdência e a tributária, ambas cruciais para que o país consiga retomar seu crescimento econômico.