Governo e Febraban estudam formas de baixar juros e aumentar créditos

Ministro da Fazenda espera que propostas dos grupos de estudo estejam concluídas até o final deste ano

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SÃO PAULO – No início de 2001 a taxa básica de juros no Brasil estava em 15,25% ao ano, e o mercado estava otimista com relação às perspectivas para a economia brasileira. A maioria das pessoas acreditava que aquele seria um ano de forte expansão no volume de concessões de crédito.

Contudo, desde então a combinação de fatores externos (crise na Argentina, atentados nos EUA) e internos (crise energética e sucessão presidencial) acabou forçando uma mudança brusca na tendência das taxas de juros, que ao invés de cair, como inicialmente previsto, subiram de maneira acentuada até atingir o patamar de 25,5% ao ano neste último mês de janeiro.

Febraban e Governo retomam grupos de estudo

Com os juros nestes patamares, os bancos se tornam mais cautelosos para emprestar dinheiro, e os consumidores também evitam novos financiamentos buscando evitar ficar atolado em dívidas. Por fim, cerca de 15% das pessoas que decidem levantar financiamentos acaba ficando inadimplente, enquanto entre as empresas este percentual cai para 4%.

Buscando reverter esta situação, e reconhecendo que a retomada do crescimento econômico não pode ser atingida sem a redução dos juros e o conseqüente aumento do volume de concessões de crédito, o atual ministro da Fazenda, Antonio Palocci, iniciou nesta quinta-feira, dia 6, negociações com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) alternativas para que o sistema financeiro consiga expandir a oferta de crédito e reduzir as margens cobradas nos financiamentos.

Vale lembrar que se taxa básica está em 25,5% ao ano, o que equivale a 1,91% ao mês, empresas ou pessoas físicas não conseguem levantar um financiamento por menos de 5% ao mês, mais do que o dobro da taxa básica.

Nesta primeira reunião, as partes combinaram que serão reativados dois grupos de trabalho, que foram formados na época da corrida eleitoral. O primeiro buscará ampliar a concessão de créditos e a queda dos juros, e o outro deve ampliar o acesso das pequenas empresas aos empréstimos.

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Mais empréstimos a juros mais baixos

Na tentativa de conseguir alcançar as metas impostas de reduzir juros e aumentar volume de concessões, o primeiro grupo de estudo deve discutir tópicos como eficiência dos bancos nas operações de intermediação financeira, assim como a redução de custos e encargos do sistema financeiro.

Através destas discussões o governo espera que seja apresentada uma proposta de como conseguir elevar a participação dos créditos sobre o PIB (Produto Interno Bruto) dos atuais 24%.

Uma das sugestões propostas pela Feebraban é a revisão das Leis de Falência, que por ser antiga acaba aumentando o custo do capital, pois onera muito os bancos nos casos em que as empresas entram com pedido de falência. O presidente da Febraban, Gabriel Jorge Ferreira, lembrou que os juros seguem elevados porque o recolhimento compulsório e a forte carga tributária limitam o volume de concessões, enquanto o risco de inadimplência aumenta o risco dos empréstimos.

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Expansão do micro-crédito

Por sua vez, no que se refere à expansão dos financiamentos para pequenas empresas, o atual ministro da Fazenda afirmou que uma das iniciativas seria a de aumentar o número de bancos que atuam no setor de micro-crédito, que atualmente inclui apenas o Unibanco e o Itaú. Apesar de concordar com as intenções do governo, o presidente da Febraban lembrou que é preciso criar condições para expansão do micro-crédito, através da obtenção de informações mais confiáveis das empresas.

Segundo Palocci, a intenção é que estes grupos consigam terminar suas propostas ainda neste ano, de forma que as medidas possam ser implementadas no próximo ano. A intenção seria a de conseguir que através destas medidas ocorra um aumento de consumo.