Governo discute projeto que cria estatal para minerar terras raras

Estatal seria responsável por extrair e processar minérios considerados críticos para o avanço tecnológico do país

Caio César

Brasília (DF), 02/02/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 02/02/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne, na manhã desta sexta-feira (27), com ministros no Palácio do Planalto para discutir um projeto elaborado pelo governo para instituir a criação de uma nova estatal, que cuide da exploração de terras raras no país.

A estatal, que possivelmente se chamará Terras Raras do Brasil S/A, sob a sigla Terrabras, será responsável por garimpar e tratar minérios considerados estratégicos para o avanço tecnológico do país e disputa com o mercado global, hoje dominado pela China.

A ideia é que a mineradora estatal não se atenha apenas aos minérios críticos, mas já preveja, desde a sua criação, a possibilidade de atuação em outros mercados essenciais, como a extração de minério de ferro.

O Brasil é, atualmente, o detentor da segunda maior reserva de terras raras no mundo. A reserva tem chamado a atenção de outros países, entre eles principalmente os Estados Unidos, que têm pressionado o governo Lula pela criação de um acordo bilateral para a produção dos minérios críticos.

Durante a reunião da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Celac-África, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou seu tempo de discurso para defender as jazidas brasileiras da cobiça americana.

“Nós não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência. Nós não podemos permitir que alguém possa se intrometer e ferir a integridade territorial de cada país”, disse Lula em referência à interferência dos EUA na Bolívia, Venezuela e Cuba. “Levaram quase tudo da Bolívia. Agora que a Bolívia tem minérios críticos, é a chance da Bolívia, é a chance da África, é a chance da América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais para eles”, concluiu.

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Em outra oportunidade, também neste mês, Lula afirmou que o Brasil “não vai fazer com as terras raras e minerais críticos aquilo que foi feito com o minério de ferro”. O presidente defende que empresas estrangeiras que quiserem explorar os minerais brasileiros terão de fazer a transformação dessas commodities em produtos com valor agregado no próprio Brasil, outra forma de proteger as jazidas caso a iniciativa de uma nova estatal não saia do papel.

“Já está avisado ao mundo: o Brasil não vai fazer das terras raras e minerais críticos aquilo que foi feito com o minério de ferro. Vender minério de ferro e comprar produto acabado pagando seis vezes mais caro. Não, agora a parceria tem de ser feita para que a transformação seja aqui no Brasil”, declarou. “Já levaram toda nossa prata, nosso ouro, nosso diamante, nosso minério de ferro. O que mais querem levar? Quando vamos aprender que Deus deu essas riquezas para nós? E nós ficamos dando para os outros”, completou em 9 de março, durante agenda no Palácio do Planalto.