Rio Bravo

Governo Dilma deve registrar 2ª maior recessão da história do Brasil: como isso foi acontecer?

Em carta de gestores do mês de novembro, a Rio Bravo Investimentos ressalta que teremos a maior recessão documentada no Brasil desde 1901 - e por pouco não será a pior

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SÃO PAULO – Em relatório de estratégia sobre o mês de novembro, a Rio Bravo Investimentos destaca o cenário bastante desolador com o que pode se configurar em uma das maiores recessões da história do Brasil. “A se confirmarem as quedas no PIB que se espera para o biênio 2015-2016, primeira metade do governo Dilma Rousseff,  teremos a maior recessão documentada no Brasil desde 1901, período para o qual dispomos de medidas confiáveis para o PIB”, avaliam os gestores. 

Segundo eles, talvez a presidente escape de ter em seu governo a “maior recessão da história” apenas por conta dos números da recessão da virada do século XX, provocada pelo conserto dos excessos do Encilhamento pelas mãos de outro ministro da Fazenda de “nome Joaquim, mas de sobrenome Murtinho”. A crise do encilhamento decorreu de uma bolha econômica que estourou entre o fim da monarquia e o início da república, por conta das políticas de crédito livres garantidos por expansão monetária implementadas pelos ministros da Fazenda Visconde de Ouro Preto e Ruy Barbosa, com o ajuste realizado por Joaquim Murtinho. 

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O relatório prossegue, destacando o relato do historiador José Murilo de Carvalho de que o Encilhamento foi uma época em que houve “a vitória do capitalismo mas desacompanhado da ética protestante”. “É ocioso repetir o velho clichê segundo o qual a história se repete como farsa; melhor lembrar o chanceler alemão Konrad Adenauer: ‘a História é a soma das coisas que poderiam ter sido evitadas’”, prossegue. 

Por outro lado, diz o relatório, mesmo que alguém faça a improvável tarefa de mostrar que a recessão atual não será a maior da história, não se deve perder de vista que já não somos mais uma jovem República lidando com as consequências da Abolição e às voltas com revoltas contra o sistema métrico ou a vacinação. “Para se conseguir uma queda cumulativa superior a 5% em dois anos no século XXI, com todas as turbinas que o Brasil possui e, sobretudo, na ausência de qualquer influência externa negativa relevante, seria necessária uma combinação verdadeiramente incomum de erros”, afirma.

Os gestores olham para o número do relatório Focus, divulgado toda semana pelo Banco Central com a opinião de mais de cem instituições sobre diversos dados da economia, ressaltando que, mesmo com os fatos não terem acontecido ainda, a chance desses números não se materializarem é pequena, tendo em vista o que já ocorreu até o terceiro trimestre de 2015 e o seu “carregamento estatístico” para 2016. 

Quando foi feito o relatório, a  projeção para este ano era de menos 3,7% para este ano e há uns 2% de queda “contratados” para 2016, de sorte que estamos diante de recordes históricos.

“Ao longo da década de 1980, tivemos algumas sequências horríveis, e comparáveis, como as do começo da década (queda de 4,25% em 1981, crescimento de 0,83% em 1982 e nova queda de 2,93% em 1983) e os anos da hiperinflação seguidos do Plano Collor (queda de 4,35% em 1990). Mas nem nesses biênios, tampouco em 1930-1931 (quedas de 2,1% e 3,3% respectivamente), tivemos tanta recessão quanto agora”, lembra a Rio Bravo.

Os gestores ressaltam que, no passado, a ocorrência de hiperinflação no Brasil produzia perplexidade em observadores estrangeiros, pois o Brasil não vivera nenhuma guerra, revolução, nem furações ou terremotos. “Quase todas as outras ocorrências dessa patologia tinham sido em circunstâncias muito excepcionais, exceto no Brasil. Como era possível uma catástrofe tão profunda em tempos de paz?”

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Para a Rio Bravo, a mesma pergunta volta e pode ser feita agora, pois não há nenhuma tragédia externa que justifique tamanha recessão, não há contágio vindo de lugar algum, nem “apagões” ou qualquer “conspiração” da Natureza. “O que está acontecendo?”

Os gestores apontam que, a julgar pelo desempenho das contas fiscais para este ano e o próximo, para as quais se espera um déficit primário na faixa de 1,5% do PIB, a culpa pela recessão não pode recair no ministro Joaquim Levy e as medidas de austeridade. A razão para tanto é muito simples, destacam os gestores: a política fiscal ficou longe das metas de superávit primário inicialmente almejadas pelo ministro. “Portanto, não houve austeridade de que se queixar, como tem se passado na Grécia, por exemplo”.

Além disso, não há a sensação de que se restituiu a sustentabilidade fiscal às contas do governo. “Talvez o que esteja diante de nós não seja apenas um conjunto de erros de política econômica, mas o colapso de um modelo, um tipo especial de capitalismo espúrio que se vê rejeitado pelo tecido social e pelas instituições que o defendem. O país está em meio a uma faxina, que nos fará muito bem, mas que precisa ser acompanhada de uma nova postura na economia, mais próxima da ideia de economia de mercado para onde parecíamos rumar na segunda metade dos anos 1990″, finalizam os gestores.