Brasil aguarda decreto para avaliar impacto de tarifa de Trump a parceiros do Irã

Presidente americano detalhou critérios ou data de início da vigência da sobretaxa

Agência O Globo

Itamaraty (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Itamaraty (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

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O governo de Luiz Inácio Lula avalia o impacto da medida anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 25% a qualquer país que comercialize com o Irã. O anúncio feito nesta segunda-feira por Trump ocorre em um momento em que aumenta a pressão sobre Teerã devido à repressão contra protestos antigovernamentais.

“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará tarifas de 25% sobre qualquer transação que realize com os Estados Unidos. Esta ordem é definitiva e conclusiva”, disse Trump em sua rede Truth Social.

Para integrantes do Itamaraty, apenas com base no anúncio de Trump feito em rede social não é possível dar precisão do impacto para o Brasil da medida. Trump não detalhou critérios ou data de início da vigência da sobretaxa. O governo, no entanto, passará a avaliar os reflexos da sanção para o Brasil e buscará informações de como a Casa Branca vai administrar essas tarifas na prática.

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O Irã é um dos principais parceiros comerciais do Brasil no Oriente Médio. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a balança comercial Brasil e Irã é US$ 3 bilhões de corrente, sendo US$ 2,8 de superávit para o Brasil. As importações do país para o Brasil são de US$ 84,6 milhões. O país exporta para a República Islâmica milho (67,9%) e soja (19,3%) e importa adubo (79%) e frutas e nozes (11%). O país está em 31 posição no ranking de principais países exportadores do Brasil e em 82º no ranking de importadores.

Em 2024, as exportações brasileiras com destino a Teerã consolidaram o país persa como o quinto maior destino das vendas nacionais na região, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio.

Desde 2024 o Irã integra o Brics, o bloco de países fundado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul e que hoje também tem Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Indonésia.