Governistas do MDB demonstram insatisfação por Lula não ter feito proposta de vice

Presidente confirmou que Geraldo Alckmin vai disputar novamente o cargo

Agência O Globo

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante cerimônia de abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas COP30, em Belémembro de 2025
REUTERS/Adriano Machado
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante cerimônia de abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas COP30, em Belémembro de 2025 REUTERS/Adriano Machado

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O núcleo do MDB mais próximo do governo demonstrou insatisfação com o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ter se mobilizado e feito um convite formal para a sigla ocupar a vaga de candidato a vice-presidente. Esse grupo entende que o gesto seria necessário para garantir um acordo que fizesse a sigla estar formalmente na coligação da campanha do petista. 

O entendimento dessa ala é que a legenda não tinha como ponderar um embarque na campanha de reeleição sem ter sido chamada pelo presidente para discutir o assunto de forma clara.

O caminho encarado como mais provável dentro da legenda é que o partido adote uma neutralidade e libere os estados para fazerem as alianças com os candidatos a presidente que desejarem. Em São Paulo, por exemplo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) apoia Flávio Bolsonaro (PL) para o Palácio do Planalto.

Auxiliares de Lula relatam que nunca houve uma costura formal com o MDB para que uma chapa de fato saísse do papel, exceto pelo fato de Lula ter indicado isso em uma reunião com os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL) no fim do ano passado.

Emedebistas mais próximos do governo fazem uma comparação da tentativa de aliança com um relacionamento amoroso. Eles apontam que se Lula quisesse um compromisso sério com o partido, teria feito um pedido formal para “namorar a legenda”, mas como isso não aconteceu.

Assim, a sigla se vê livre para não dar suporte à campanha que será encabeçada pelo PT e somente estar nas alianças estaduais que julgarem convenientes. 

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Governistas do partido viam como um gesto para ter o MDB na aliança um convite para que a sigla ocupasse a vice em uma eventual nova gestão de Lula. O presidente chegou a sugerir publicamente mais de uma vez que o vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, poderia sair do cargo, mas nesta terça-feira ele confirmou, durante reunião ministerial, que a vice não será alterada.

Para parte do MDB, a ausência de um gesto político mais direto do presidente indica que o governo trabalha com um cenário mais pragmático no sentido de garantir, ao menos, a neutralidade do MDB na disputa. 

Do lado grupo mais ideologicamente próximo de Lula, havia um entendimento de que o partido também não deu abertura para uma aproximação. O MDB é diverso e abriga diversos líderes regionais com influência e autonomia em relação às alianças nos estados. 

Em um sinal que demonstra distanciamento com o petista, o presidente do MDB, Baleia Rossi, atuou para impedir que Simone Tebet, que era ministra do Planejamento, concorresse ao Senado pela sigla em São Paulo. Tebet saiu do MDB e se filiou ao PSB para disputar o cargo no estado. 

Da mesma forma, o MDB fortaleceu a aliança com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e filiou o vice-governador Felício Ramuth, que saiu do PSD. Tarcísio será adversário do candidato do PT a governador de São Paulo, Fernando Haddad, que foi um dos principais ministros do governo.

Em outro embate, o MDB resistiu a filiar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, que está de saída do PSD e deve concorrer a governador de Minas Gerais pelo PSB com o apoio de Lula. O diretório emedebista de Minas resistia a dar palanque para Lula e já tem o ex-vereador Gabriel Azevedo como pré-candidato.

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O presidente do PT, Edinho Silva, esteve em Minas no último final de semana, onde admitiu as dificuldades de composição.

— Penso que as alianças com o PSD e MDB serão construídas nos estados. Não creio em aliança nacional com esses partidos —  declarou.

Ainda assim, o grupo governista do MDB avalia que o partido dá sinais mais fortes de apoio a Lula do que outras legendas de centro e centro-direita, como o PSD, que lançou a pré-candidatura de Ronaldo Caiado, e o Republicanos e a federação União Brasil-PP, que se dividem entre apoiar Flávio Bolsonaro ou a neutralidade.

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Ainda que um apoio formal do MDB esteja por ora sepultado, emedebistas apontam alianças fortes em diversos estados já no primeiro turno, como Ceará, Amazonas, Maranhão, Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, a exemplo do que aconteceu em 2022.