Decisão controvérsia

“Gilmar Mendes encarnou o próprio Papai Noel”, diz procurador sobre soltura de mulher de Cabral

Ministro lançou uma nova forma de foro privilegiado, disse integrante da força-tarefa da Lava Jato

O ministro do STF, Gilmar Mendes (Divulgação)

SÃO PAULO – A determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, em soltar Adriana Ancelmo na noite da última segunda-feira (18) foi muito criticada pelos procuradores Carlos Fernando dos Santos Lima e Deltan Dallagnol, ambos integrantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Através de sua conta do Facebook, Fernando dos Santos afirmou que o ministro lançou uma nova forma de foro privilegiado, pois ao liberar a ex-primeira-dama do Rio de Janeiro concedeu o privilégio de nem sequer ser investigada pela Justiça: “hoje Gilmar Mendes encarnou o próprio Papai Noel. Pena que mais uma vez o presenteado não seja a população brasileira”, escreveu.

Na mesma linha, o investigador Deltan Dallagnol também utilizou o Facebook para manifestar sua indignação com a decisão de Gilmar Mendes, desta vez envolvendo o governador do Paraná, Beto Richa, que também teve suspensa sua investigação: “é um absurda a suspensão da investigação pelo ministro Gilmar Mendes. É o velho sistema de justiça criminal disfuncional mostrando as garras da impunidade”, afirmou.

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Somente ontem, o ministro do STF mandou suspender um inquérito em tramitação no STJ (Superior Tribunal de Justiça) no qual o governador do Paraná era investigado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e utilização de caixa 2, como concedeu benefício para Adriana Ancelmo para cumprir prisão domiciliar. A ex-primeira-dama foi presa em 2016 na Operação Calicute e foi condenada a 18 anos e 3 meses de prisão pelo crime de lavagem dinheiro e por ser beneficiária do esquema de corrupção comandado pelo marido, Sérgio Cabral.