Gilmar: decisão de Moraes sobre IOF ajuda a “refletirem e buscarem solução política”

Ministro vê decisão do colega como um gesto para despressurizar crise institucional; audiência de conciliação entre governo e Congresso está marcada para o dia 15 de julho

Paulo Barros

(Foto: Paulo Barros/InfoMoney)
(Foto: Paulo Barros/InfoMoney)

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LISBOA – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes comentou a decisão do colega Alexandre de Moraes que suspendeu, nesta sexta-feira (4), tanto o decreto presidencial que elevava a alíquota do IOF quanto o projeto de lei complementar aprovado pelo Congresso para derrubá-lo. Moraes também convocou representantes dos Poderes para uma audiência de conciliação, marcada para o dia 15 de julho.

Para Gilmar, a medida pode servir como um “respiro” diante das tensões entre os Poderes.“Talvez essa decisão do ministro Alexandre ajude as partes envolvidas nesse conflito a colocarem a cabeça no travesseiro, refletirem e tentarem buscar solução no campo político, que é o campo adequado para isso”, afirmou o ministro em conversa com jornalistas ao fim do Fórum de Lisboa.

Mendes reiterou que a crise do IOF é apenas a face visível de uma tensão maior de coordenação política, e defendeu o diálogo como solução para o impasse.

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“De fato, nós temos uma tensão fiscal, e talvez precisemos fazer construções mais elaboradas”, disse, sugerindo que o problema vai além da disputa jurídica sobre o imposto e envolve o equilíbrio entre Executivo e Legislativo.

O ministro também voltou a defender que não há invasão de competências por parte do Judiciário, como tem sido criticado por setores do Congresso, e justificou a atuação do Supremo após os ataques de 8 de janeiro de 2023.

“Não se tratou de um passeio no parque”, disse, ao comentar as cenas de violência durante a tentativa de golpe. “Foi algo extremamente grave, e, por isso, também uma resposta assertiva, uma resposta firme.”

Balanço do Fórum de Lisboa

Ao comentar o encerramento do Fórum de Lisboa, Gilmar Mendes celebrou o sucesso do evento e afirmou que esta foi “talvez a edição mais perfeita” das 13 já realizadas.

O encontro reuniu mais de 3 mil inscritos, com a participação de mais de 500 palestrantes, incluindo governadores, senadores, deputados e especialistas internacionais.

“É uma engenharia complexa, mas que demonstra o interesse geral pelas discussões”, disse Gilmar. “Vimos uma verdadeira imersão nos debates, com as pessoas participando intensamente ao longo dos três dias.”

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Ele também destacou a crescente internacionalização do fórum, com a presença de representantes dos Estados Unidos, Itália, Alemanha, Espanha e Argentina, e a participação de mais de 150 jornalistas do Brasil e do exterior.

Gilmar ainda brincou com o apelido informal do evento: “Se quiserem, podem continuar chamando de ‘Gilmarpalooza’.”

A próxima edição do evento está prevista para julho de 2026, ainda sem data definida.

Paulo Barros

Jornalista há quase 20 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve principalmente sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos