Gilmar critica “parlamentarismo desorganizado” e alerta para escalada de emendas

Ministro do STF afirmou que Congresso precisa exercer poder com responsabilidade e defendeu debate sobre semi-presidencialismo
O ministro do STF, Gilmar Mendes, durante fala a jornalistas no Fórum de Lisboa (Foto: Paulo Barros/InfoMoney)
O ministro do STF, Gilmar Mendes, durante fala a jornalistas no Fórum de Lisboa (Foto: Paulo Barros/InfoMoney)

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LISBOA – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chamou atenção para o desequilíbrio institucional que, segundo ele, se instalou no Brasil com o avanço do poder do Congresso e o crescimento desordenado das emendas parlamentares. “Vivemos, talvez, um parlamentarismo desorganizado, porque não tem um formato bem definido”, afirmou a jornalistas nesta quinta-feira (3), durante o Fórum de Lisboa.

O ministro lembrou que o atual modelo das emendas impositivas surgiu em 2015, no embate entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-deputado e presidente da Câmara Eduardo Cunha, e tem ganhado proporções inéditas. “Ano passado, chegou-se à cifra de R$ 50 bilhões para as emendas parlamentares. É preciso que o Congresso tenha poder, é natural, mas que também tenha responsabilidade”, disse Gilmar.

Na avaliação do decano da Corte, o Brasil deixou de operar sob o “presidencialismo de coalizão” e hoje vive um “presidencialismo de colisão”, marcado por frequentes impasses entre Executivo e Legislativo. Ele sugeriu que o país discuta alternativas, como o semi-presidencialismo, para adaptar o sistema de governo ao protagonismo crescente do Congresso.

Gilmar também comentou o papel do Supremo na crise atual em torno do IOF e reafirmou que o tribunal age com responsabilidade ao ser provocado por diferentes atores políticos. “Quando os parlamentares foram perseguidos por ações judiciais ou investigações criminais, foi o Supremo que deu uma palavra de basta. Quando há exageros de um lado ou de outro, é o Supremo que tem a vidrada”, disse.

O ministro minimizou a possibilidade de que a decisão sobre o IOF alimente tensões com o Legislativo. “Não temo. Tivemos bom diálogo com os setores líderes do Congresso Nacional. Eles sabem que fazemos nosso trabalho com consciência.”

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)