Geithner pede aprovação do plano de US$ 825 bilhões e sinaliza reforma do TARP

Em busca de sua confirmação como Secretário do Tesouro pelo congresso, chefe do Fed de Nova York pede ação imediata

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SÃO PAULO – Em audiência na Comissão de Finanças do Senado, que pode confirmar sua indicação como o próximo Secretário do Tesouro dos EUA, o atual presidente do Federal Reserve de Nova York, Timothy Geithner, reforçou apelo por duras medidas para combater a crise e sinalizou uma possível alteração no programa TARP (Troubled Assets Relief Program).

Indicado pelo recém empossado presidente Barack Obama para ocupar a vaga deixada por Henry Paulson, Geithner teve a confirmação de seu nome postergada em função de grande polêmica causada pela descoberta de atrasos no pagamento de aproximadamente US$ 50 mil em impostos.

Deixando de lado a polêmica, o discurso endereçado aos Senadores trouxe apelos em relação à aprovação do pacote de estímulos econômicos de US$ 825 bilhões endossado pelo novo presidente, cujos recursos serão repartidos entre investimentos públicos em infra-estrutura, educação e energia, bem como em redução de impostos.

Ação necessária

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“Os custos finais desta crise serão maiores, se nós não agirmos com vigor suficiente agora”, afirmou Geithner à comissão do senado, defendendo medidas agressivas para restabelecer o fluxo de crédito na economia e reverter a crise no mercado imobiliário.

Mesmo tendo quitado todas as suas pendências com o fisco, o ainda presidente do Fed de Nova York tornou-se um alvo fácil para a oposição do partido republicano, uma vez que, entre as principais funções do cargo pretendido, está o comando da Internal Revenue Service – análoga à Receita Federal brasileira.

Toda a confusão gera apreensão em relação à confirmação de seu nome, algo que deverá ocorrer ainda nesta quarta-feira (21). Uma medida que deverá agradar aos congressistas, todavia – em especial os de oposição -, será a revisão do TARP.

Controle fiscal

Principal medida tomada até agora pelo governo dos Estados Unidos para combater a crise, o programa consistia inicialmente na utilização de US$ 700 bilhões para retirar de circulação os ativos ilíquidos, cuja queda dos preços desde o estopim da crise gerou efeitos devastadores sobre o sistema financeiro.

Todavia, dificuldades em sua implantação e novas idéias forçaram o redirecionamento dos recursos para ações muito diversas, como a injeção de recursos diretamente em instituições financeiras ou mesmo empréstimos para as atribuladas fabricantes de automóveis.

Geithner disse que pretende reformar o programa, criando “condições mais rígidas para proteger o contribuinte e a necessária transparência para permitir ao povo ver onde e como seu dinheiro tem sido gasto”.

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O postulante ao comando do poderoso Departamento do Tesouro pretende também criar compromissos claros e precisos para que, tão logo a crise tenha sido enfrentada e as condições de normalidade restauradas, “como uma nação, voltemos a viver com nossos meios”, sinalizando a retomada futura da rigidez fiscal.