G8 alerta para risco de estagflação com alta das commodities

Grupo pede aos produtores de petróleo que aumentem a oferta e ao FMI que determine as causas reais da alta do petróleo

SÃO PAULO – A repercussão geral da reunião do G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia), terminada no último sábado (14), converge para um ponto principal: nenhuma ação prática foi tomada ou decidida. O que foi levantado, entretanto, foi a preocupação sobre a influência do risco inflacionário sobre um panorama de desaceleração do crescimento econômico mundial.

Com o comunicado divulgado após a reunião, fica claro que após meses adotando medidas visando a estabilidade do mercado financeiro em detrimento do cenário inflacionário, a questão entre os governantes dos países desenvolvidos agora mudou de foco.

Petróleo e alimentos sobem; crescimento cai

Uma das maiores preocupações discutidas pelos Ministros de Finanças foi a recente disparada das commodities – visivelmente o petróleo e os alimentos – e sua pressão sobre uma inflação que já mostra sinais de reaquecimento não somente em países emergentes como nos EUA – com o CPI (Consumer Price Index) registrando alta de 0,6% em maio – e na zona do euro – cuja inflação subiu para 3,7% no mês passado. Nesse contexto, o temor volta a ser a estagflação.

Principalmente porque enquanto a cotação internacional do barril de petróleo beira os US$ 140, as instituições voltam a cortar as estimativas de crescimento. Na última semana, foi a vez do Banco Mundial reduzir as previsões de avanço da economia global em 1 ponto percentual, para 2,7%.

Propostas

No comunicado, os ministros pediram ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e à Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA) para esclarecer os fatores reais e financeiros que estão na origem do recente salto do petróleo, “que constitui uma séria ameaça ao crescimento mundial”.

Sem propostas de novas políticas a serem adotadas frente ao crescente risco inflacionário e desaceleração da economia global, os membros do G8 terminaram a reunião com promessas de que tomarão as ações apropriadas, enquanto reiteraram os pedidos aos produtores de petróleo de aumentarem a oferta e aos consumidores de utilizarem a commodity de forma mais eficiente.