Encontro com aliados

Furioso com ação da PF, Lula diz: “preparem-se porque as coisas vão ficar piores”

Lula se reuniu ontem com a presidente Dilma Rousseff e ministros em busca de uma reação à agenda negativa, segundo relatos do Estadão

SÃO PAULO – Preocupado com os efeitos da Operação Lava Jato sobre o governo, que já enfrenta grave crise política, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com a presidente Dilma Rousseff e ministros na última terça-feira (14) em busca de reação. 

E, para Lula, conforme relatos divulgados pelo jornal O Estado de S. Paulo, o estrago da última fase da Operação Lava Jato, a Politeia, foi grande com busca e apreensões realizadas em casas de políticos, como Fernando Collor de Mello. Assim, o cenário que se desenha é de ainda mais dificuldades. 

“Preparem-se porque as coisas vão ficar piores”, afirmou o ex-presidente, segundo relatos obtidos pelo jornal. Segundo o Estadão, Lula estava “furioso” com a forma como a Polícia Federal está agindo e afirmou à presidente Dilma que ela precisa sair da agenda negativa. 

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“Você não tem que ficar falando de Lava Jato. Você tem que governar, ir para a rua, conversar com o povo, divulgar os seus programas. Não pode ficar só nessa agenda de Lava Jato e ajuste fiscal“, esbravejou Lula para a presidente. Dilma concordou com as avaliações do padrinho em relação aos problemas de comunicação do governo sobre as medidas e a agenda da presidente, afirma o jornal, mas ela não escondeu a insatisfação com as últimas críticas feitas por ele. Afirmou, ainda, que nada pode fazer com relação às investigações da Polícia Federal. 

Lula também esteve com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e afirmou que ele deve divulgar as medidas para as etapas seguintes do ajuste fiscal, uma vez que o governo deve “vender esperanças”. Além disso, ele deve explicar o porque das medidas de ajuste, e não tratá-las como um fim em si mesmo. Para Lula, a aprovação de Dilma e mesmo a dele desmoronaram muito mais por problemas na economia do que por denúncias de corrupção na Petrobras.

Assim, repetiu-se o que já vinha falando reservadamente, conforme destaca o blog Na Real de hoje: Dilma tem de sair da agenda negativa “ajuste fiscal-Lava-Jato”, comunicar-se mais com empresários, com os movimentos sociais e com os políticos, viajar pelo Brasil e inaugurar, inaugurar… Levy tem de comunicar ao público as medidas pós-ajuste. Lula agiu, segundo uma maldosa língua governista no Congresso, dessas que ainda conseguem manter o humor diante de tantas adversidades, como um “co-presidente”.